- Xamã, onça-pintada resgatada ainda filhote em Sinop, Mato Grosso, passou por reabilitação e recebeu autorização para viajar.
- A ONG World Animal Protection atua com Onçafari para a reintrodução, concluída com a soltura suave em outubro de 2024.
- Desde a soltura, Xamã percorreu mais de 14.000 hectares de floresta amazônica, monitorado por colar GPS; nos últimos meses, estacionou a cerca de 15 quilômetros da área de liberação.
- O processo de reintrodução envolve muitos profissionais, custa entre US$ 140 mil e US$ 180 mil e não recebe financiamento direto do governo.
- A história de Xamã evidencia os riscos para jaguás causados por incêndios na Amazônia, desmatamento e tráfico, que afetam a conservação da espécie no Brasil.
Xamã, jaguar resgatado de Mato Grosso, iniciou um longo caminho de reabilitação após ser encontrado ainda filhote em Sinop. O animal pesava pouco mais de 10 kg e foi levado para a UFMT para cuidados veterinários. A história ganhou atenção de ONGs defensoras da fauna.
A ONG World Animal Protection acompanhou o caso e buscou parceria com Onçafari, reconhecido programa de reintrodução de jaguares no Brasil. A intervenção visou mostrar os impactos da expansão agrícola sobre a vida silvestre no país.
Xamã permaneceu cinco meses no hospital veterinário, ganhou peso e recebeu acompanhamento para evitar habituar-se a humanos. Em seguida, partiu para um manejo de reabilitação para retorno à natureza, realizado pela Onçafari.
Contexto da conservação
Em seis meses, Xamã percorreu mais de 14 mil hectares da Amazônia, evitando áreas abertas e fazendas. A distância inicial foi de cerca de 700 km entre Mato Grosso e Pará, onde fica um enorme recinto de reabilitação.
O objetivo era testar a viabilidade de soltura gradual. O monitoramento é feito por coleira de GPS, com transmissões a cada duas horas, permitindo acompanhar deslocamentos amplos pela floresta.
Detalhes do processo de reintrodução
A primeira liberação suave ocorreu em outubro de 2024, após quase dois anos de preparação. Em mais de 12 horas, Xamã deu seus primeiros passos para a vida livre. O animal mantém vigilância com o GPS, ainda ativo.
Antes da soltura, Xamã mostrou capacidade de caça, com ações que evoluíram de mordidas a capturas eficientes. O progresso foi acompanhado por câmeras para avaliar adaptação e território.
Desafios e custos
O custo total da reintrodução até a soltura rende entre 140 mil e 180 mil dólares, segundo a NEX No Extinction. A vida selvagem depende de muitos parceiros, com financiamento frequente vindo de doações.
A equipe ressalta que a burocracia e a falta de apoio governamental dificultam o processo. Em casos de falha, pode haver recaptura para manter o animal sob cuidado humano.
Panorama nacional
No Pantanal, incêndios e seca recentes devastaram áreas inteiras, vitimando jaguares como Gaia. O resgate de outros indivíduos ainda depende de recursos de organizações não governamentais. A trajetória de Xamã é considerada bem-sucedida, mas o cenário continua desafiador.
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