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WhatsApp: usuários abandonam grupos políticos para evitar brigas

Com brigas nas conversas, apenas seis por cento participam de grupos políticos no WhatsApp; queda em família (34%→27%), amigos (38%→24%) e trabalho (16%→11%), 56% evitam opinar por ambiente agressivo

Segundo o estudo, o principal fator associado a essa retração é o medo de se posicionar. Mais da metade dos entrevistados (56%) afirmam evitar expressar opiniões políticas por considerarem o ambiente “muito agressivo”. Essa percepção atravessa diferentes campos ideológicos: atinge 63% dos que se identificam como de esquerda, 66% dos que se dizem de centro e 61% dos que se colocam à direita. Foto: Reprodução
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  • Estudo realizado entre 20 de novembro e 10 de dezembro de 2024, com 3.113 pessoas, aponta que 6% participam de grupos políticos no WhatsApp, abaixo dos 10% de 2020.
  • Entre 2021 e 2024, a presença de mensagens sobre política caiu: de 34% para 27% nos grupos de família, de 38% para 24% nos grupos de amigos e de 16% para 11% nos grupos de trabalho.
  • 56% evitam expressar opiniões por entenderem o ambiente como muito agressivo; 65% evitam compartilhar mensagens que possam ferir valores de outras pessoas.
  • 12% dizem compartilhar conteúdos considerados relevantes mesmo que causem desconforto; 18% divulgam ideias mesmo que possam ser vistas como ofensivas.
  • Entre os 44% que se sentem seguros para falar de política no WhatsApp, as principais estratégias são usar humor (30%), conversar em privado (34%) e restringir o debate a pessoas com visões semelhantes (29%).

A participação em grupos de política no WhatsApp segue em queda, conforme estudo divulgado nesta segunda-feira (15). A pesquisa mostra que apenas 6% dos usuários participam de grupos de discussão política, abaixo dos 10% registrados em 2020. O levantamento foi realizado entre 20 de novembro e 10 de dezembro de 2024.

Entre 2021 e 2024, houve redução também na frequência de mensagens sobre política em diferentes círculos de convivência. Nos grupos de família, a presença de mensagens políticas caiu de 34% para 27%. Nos de amigos, de 38% para 24%. E nos de trabalho, de 16% para 11%.

Contexto e metodologia

O estudo, intitulado Os Vetores da Comunicação Política em Aplicativos de Mensagens, é realizado anualmente pelo InternetLab e pela Rede Conhecimento Social. Ouviram 3.113 pessoas com 16 anos ou mais, em todas as regiões do país, por meio de questionário online.

Fatores que influenciam a retração

Mais da metade dos entrevistados (56%) evita expressar opiniões políticas por considerar o ambiente muito agressivo. Entre os ideologias, 63% da esquerda, 66% do centro e 61% da direita relataram esse desconforto. Metade dos participantes se policia sobre o que fala nos grupos, e 50% evita discutir política no grupo da família para evitar brigas.

Compartilhamento de conteúdos e estratégias

Ao todo, 65% dizem evitar mensagens que possam ferir valores de outras pessoas, e 12% afirmam compartilhar conteúdos mesmo que causem desconforto. Outros 18% divulgam ideias que possam soar ofensivas. Entre os 44% confiantes para falar de política, predominaram o uso do humor (30%), conversas privadas (34%) e debates restritos a pessoas com visões semelhantes (29%).

Perspectivas e entrevistas

Especialistas ouvidos pela pesquisa apontam o fenômeno como consequência da polarização e do immediato das redes. O pastor Lucas Alves Bezerra ressalta a dinâmica de respostas rápidas que dificultam debates reflexivos. Já Marciley Neves, CEO do Touch Peace, cita falta de embasamento e julgamentos precipitados como entraves ao diálogo público.

Conclusões operacionais da pesquisa

O estudo afirma que a retração no debate político não é exclusiva de um grupo ideológico, mas envolve diferentes perfis. Os dados indicam que o tema segue sendo evitado mesmo em espaços de convivência cotidiana. A pesquisa foi financiada pelo WhatsApp, que, segundo o InternetLab, não influenciou a metodologia, a análise ou os resultados.

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