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Manguezais sob ataque duplo: mar sobe e ciclones se intensificam

Mais da metade das áreas de mangue pode enfrentar riscos severos até 2100 devido a ciclones e subida do nível do mar, com impactos econômicos e sociais

Mangrove portal
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  • Mais da metade das áreas de manguezais mundiais pode enfrentar risco grave até 2100 devido a ciclones tropicais intensificados e à elevação do nível do mar, segundo pesquisa que usa um índice de risco aberto.
  • O estudo combina mudanças climáticas e aumento do nível do mar em três cenários de emissões da IPCC (intermediário, alto e muito alto) para prever riscos aos manguezais.
  • Sudeste da Ásia deve ser a região mais afetada, com ventos de ciclones mais fortes do que hoje.
  • O leste das Filipinas pode ter 254% a mais de ciclones em relação ao máximo histórico, elevando a frequência de tempestades de 50 anos para ocorrências próximas de 10 em 10 anos.
  • Implicações econômicas e sociais são significativas: manguezais protegem vidas e propriedades, com valor estimado de mais de US$ 65 bilhões por ano; sob cenários de altas emissões, até 98% dos manguezais que protegem pessoas na Ásia Sudeste e 97% dos que protegem ativos ficariam em alto a grave risco.

O manguezal mundial enfrenta risco severo e generalizado até 2100 devido ao aumento do nível do mar e ao fortalecimento de ciclones tropicais, segundo pesquisa recente. O estudo usa um índice de risco de código aberto para prever impactos sob três cenários de emissões do IPCC. Os resultados apontam maior vulnerabilidade em todas as regiões, com a Ásia Sudeste entre as mais afetadas.

O índice combina elevações de temperatura, aumento do nível do mar e frequência e intensidade de ciclones para mapear áreas de mangue em risco. A aplicação é inédita em escala global, buscando informar planos de conservação e restauração com base em mudanças previstas no clima.

Caso específico, as Filipinas orientais podem enfrentar até 254% a mais de ciclones tropicais, independentemente do cenário de emissões. Estima-se que eventos de 50 anos ocorram até quatro vezes por década, elevando a pressão sobre ecossistemas costeiros.

Impactos e áreas de maior risco

A análise aponta que manguezais que fornecem proteção a pessoas e ativos na região do Sudeste Asiático enfrentariam alta a severa ameaça em grande parte sob cenários de emissões elevadas. Em Central America e em partes da África Oriental, os manguezais que protegem bens também poderiam ficar em risco relevante.

Economia e pessoas: a proteção costeira natural oferecida pelos manguezais gera estimativas de valor anual superiores a US$ 65 bilhões, com mais de 775 milhões de pessoas dependendo dessas áreas. A perda dessas funções pode ter impactos diretos na erosão, alagamentos e pesca.

A equipe de pesquisadores destaca a importância de informações sobre tipo, magnitude e localização das mudanças para orientar estratégias de conservação dinâmicas. Ferramentas de risco como a analisada tornam projeções climáticas mais acessíveis para políticas públicas.

O que pode ser feito

Os autores defendem ações para reduzir emissões e aumentar a resiliência local. Se houver espaço, manguezais podem avançar para áreas internas, usando planícies de inundação existentes e novas. Projetos de restauração também devem priorizar áreas com maior benefício à população.

Iniciativas-piloto, como a restauração e expansão inland da mata em Java, na Indonésia, buscam manter serviços ecossistêmicos frente ao avanço do nível do mar. A infraestrutura de contenção de sedimentos é parte de estratégias que visam facilitar o regrowth natural, embora a adaptação dependa de condições locais.

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