Em Alta Copa do Mundo NotíciasFutebol_POLÍTICA_Brasileconomia

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Relatório aponta ligações da elite por permissões de exploração em Ebo

Relatório aponta que elites ligadas ao governo de Camarões facilitam concessões de madeira na Floresta do Ebo a empresas de Al Fatih, com favoritismo e evasão de regras

Camera trap image of an adult male and a baby gorilla in Ebo Forest.
0:00
Carregando...
0:00
  • Um relatório divulgado acusa elites do governo da Camarões de favorecer um grupo de empresas de torrefação e agroindústria na exploração de floresta primária na região da Floresta de Ebo.
  • As empresas Sextransbois e SCIEB aparecem com concessões na Ebo; outras ligadas ao mesmo grupo são Boiscam e Camvert, todas associadas ao empresário Aboubakar Al Fatih.
  • O documento aponta que alianças de Al Fatih com o ministro da economia, Alamine Ousmane Mey, teriam ajudado a obter as concessões, incluindo duas para a Ebo, de 68 mil hectares e 65 mil hectares.
  • Camvert, de palmáceas, recebeu uma concessão de 60 mil hectares perto da Área Chave de Biodiversidade Campo Ma’ân, com indícios de extração de madeira pelas redes de Al Fatih.
  • Organizações ambientais e Indígenas Banen questionam as concessões na Justiça; o relatório também aponta práticas de transfer pricing e exportação de madeira para Hong Kong; o ministério das Florestas não comentou.

O jornalismo investigativo aponta que um conjunto de elites camaronenses estaria facilitando a expansão de logging no Ebo Forest, uma área de grande biodiversidade no Camarão. O relatório, recém-lançado, vincula empresas do setor madeireiro e de agronegócio a uma rede de influências no governo. A peça destaca que o Ebo, habitado por gorilas e chimpanzés ameaçados, continua sob pressão de exploração.

Segundo o estudo da Global Initiative Against Transnational Organized Crime (GI-TOC), quatro empresas aparecem associadas a Aboubakar Al Fatih: Sextransbois, SCIEB, Boiscam e Camvert. Documentos de registro corporativo, registros de comércio e fontes do setor florestal foram usados para estabelecer os vínculos. O material também aponta a atuação de intermediários informais que teriam facilitado contatos entre empresas e autoridades.

O relatório sustenta que Sextransbois recebeu concessão de 68 mil hectares no Ebo em 2023, enquanto a SCIEB controla outra faixa de 65 mil hectares. As concessões foram entregues após uma reclassificação inicial do terreno e reutilizadas três anos depois, em meio a campanhas internacionais de proteção ambiental.

Impactos e ligações

O documento liga Al Fatih a uma rede de apoio político, incluindo o ministro da Economia, Alamine Ousmane Mey, considerado aliado de Franck Biya, filho mais velho do presidente. O texto aponta que o empresário teria se beneficiado de esse vínculo para obter concessões no Ebo, apesar de críticas de organizações ambientais.

Outra empresa de Al Fatih, Camvert, recebeu uma concessão de 60 mil hectares para palma de óleo perto da Área de Biodiversidade Campo Ma’an, no sul do país. Segundo o GI-TOC, parte da madeira extraída na área de Camvert seria comercializada por empresas da rede, incluindo Sextransbois e Boiscam.

Organizações ambientais já haviam acusado Camvert de violar leis locais ao não pagar royalties a comunidades vizinhas. Em 2024, coalizões ambientais descreveram as operações de Camvert como cheias de ilegalidades, e afirmaram que as concessões de SCIEB e Sextransbois no Ebo violam as leis camaronenses.

Representantes da comunidade Banen contestaram judicialmente a outorga das concessões do Ebo. O GI-TOC aponta também que Al Fatih teria tentado subornar líderes tradicionais para impedir campanhas contra o logging.

Reações e próximos passos

O Ministério das Florestas e da Vida Silvestre do Camarão não respondeu às solicitações de comentário. O GI-TOC pediu a revogação das concessões atribuídas às empresas de Al Fatih no Ebo, alegando violação de termos de concessão e da legislação florestal.

Dados comerciais analisados no relatório indicam prática de transferência de preços, com venda de madeira para uma empresa-fantasma em Hong Kong por valor reduzido. Especialistas consultados apontam que esse movimento configuraria transferência de lucros.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais