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Cadeia Pública de São Gonçalo promove encontros sobre masculinidade e violência

- O programa na Cadeia Pública Juíza Patrícia Acioli envolve 700 homens em grupos reflexivos. - Os encontros abordam masculinidades, saúde emocional e paternidade, promovendo reflexão. - A iniciativa é parte de uma política pública de prevenção à violência contra a mulher. - A adesão de 90% dos detentos indica um interesse significativo pela mudança de comportamento. - O sucesso do programa poderá levar à expansão para outras unidades prisionais no futuro.

O espaço cultural da Cadeia Pública Juíza Patrícia Acioli, em São Gonçalo, é um local onde três vezes por semana, até 25 presos se reúnem para discutir temas relacionados a masculinidades e violência. Essa iniciativa, que começou em 13 de janeiro, faz parte de uma política pública de prevenção à violência contra a mulher, promovida […]

O espaço cultural da Cadeia Pública Juíza Patrícia Acioli, em São Gonçalo, é um local onde três vezes por semana, até 25 presos se reúnem para discutir temas relacionados a masculinidades e violência. Essa iniciativa, que começou em 13 de janeiro, faz parte de uma política pública de prevenção à violência contra a mulher, promovida pela Secretaria Estadual da Mulher (SEM-RJ) em parceria com a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) e o Instituto Mapear. O programa, que atende cerca de 700 homens, busca a reabilitação dos agressores, conforme previsto na Lei Maria da Penha.

Os encontros, chamados de “grupo reflexivo”, consistem em oito reuniões de 50 minutos, mediadas por psicólogos e especialistas em gênero. Durante as sessões, os participantes discutem temas como saúde emocional e paternidade, com o objetivo de reconhecer e se responsabilizar pelos crimes cometidos. Os homens são tratados pelo nome e sem algemas, promovendo um ambiente de respeito e reflexão. Luciano Ramos, do Instituto Mapear, observa que, ao longo das reuniões, os detentos têm começado a assumir a responsabilidade por suas ações, embora ainda expressem sentimentos de injustiça.

Os relatos dos participantes revelam um processo de transformação. Um detento compartilhou sua experiência de violência na infância e como isso influenciou seu comportamento. Outro destacou a importância dos aprendizados sobre controle emocional e a necessidade de mudança na aplicação da Lei Maria da Penha. Heloisa Aguiar, da SEM-RJ, informou que 90% dos detentos aderiram aos grupos, enfatizando a importância de entender as causas da violência para promover a recuperação.

A secretária de Administração Penitenciária, Maria Rosa Lo Duca Nebel, ressaltou que os grupos reflexivos são parte de um esforço maior para defender os direitos das mulheres. As secretarias estão trabalhando para avaliar a eficácia do programa, com o objetivo de expandi-lo para outras unidades prisionais, caso os resultados sejam positivos. Atualmente, há 1.736 pessoas presas com base na Lei Maria da Penha no estado, sendo 716 na Cadeia Pública Juíza Patrícia Acioli.

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