Peaches, uma trabalhadora sexual de 35 anos, afirma ter sido estuprada pela polícia e agora participa da criação de um aplicativo com inteligência artificial para ajudar mulheres vítimas de abusos na África do Sul. Segundo dados da ONU, mais de um terço das mulheres sul-africanas sofrerão abusos físicos ou sexuais ao longo da vida. O […]
Peaches, uma trabalhadora sexual de 35 anos, afirma ter sido estuprada pela polícia e agora participa da criação de um aplicativo com inteligência artificial para ajudar mulheres vítimas de abusos na África do Sul. Segundo dados da ONU, mais de um terço das mulheres sul-africanas sofrerão abusos físicos ou sexuais ao longo da vida. O aplicativo, desenvolvido pela associação GRIT (Gender Rights In Tech), inclui um botão de emergência, um espaço para armazenar provas e um chatbot chamado Zuzi, que será apresentado em uma cúpula em Paris.
Em 2023-24, a África do Sul registrou mais de 53.000 crimes sexuais, incluindo 42,5 mil estupros, e 5.578 mulheres assassinadas, um aumento de 34% em relação ao ano anterior. Peaches relatou que foi forçada a prestar serviços a policiais para evitar a prisão. Leanora Tima, fundadora da GRIT, destaca que o projeto visa empoderar sobreviventes, garantindo acesso a ajuda urgente e apoio emocional sem barreiras. A pesquisadora Zanele Sokatsha ressalta que muitos casos de violência não são denunciados devido ao estigma.
Thato, uma mulher que sofreu abuso físico por parte do padrasto, descobriu a ajuda disponível após seu treinador perceber hematomas. O aplicativo da GRIT facilita o acesso a recursos, oferecendo um mapa de clínicas e abrigos, além de um serviço de armazenamento digital para provas. Gratuito e acessível, o aplicativo já conta com 12 mil usuárias e pode ser utilizado sem crédito, beneficiando mulheres em áreas rurais.
O chatbot Zuzi, que será lançado em breve, inicialmente fornecerá informações práticas, mas sua função foi ampliada para abordar questões íntimas. Apesar do aumento de serviços para ajudar mulheres vítimas de agressão, as taxas de abuso permanecem altas, resultado de fatores como a história de colonização, crenças na dominação masculina e tensões econômicas, segundo Craig Wilkinson, fundador da organização Father A Nation. Sandile Masiza, coordenadora de proteção infantil, defende a ampliação dos programas de prevenção.
Entre na conversa da comunidade