Um estudo publicado na revista *The Lancet Global Health* revela que as reduções na ajuda ao desenvolvimento, resultantes de sanções econômicas, têm contribuído para um aumento nas mortes maternas e infantis em 67 países de baixa e média renda. A pesquisa, que abrange três décadas, destaca que essas medidas, frequentemente adotadas em resposta a crises […]
Um estudo publicado na revista *The Lancet Global Health* revela que as reduções na ajuda ao desenvolvimento, resultantes de sanções econômicas, têm contribuído para um aumento nas mortes maternas e infantis em 67 países de baixa e média renda. A pesquisa, que abrange três décadas, destaca que essas medidas, frequentemente adotadas em resposta a crises políticas e violações de direitos humanos, reverteram avanços significativos na saúde materno-infantil.
A autora principal, Ruth M. Gibson, da Universidade de Stanford, enfatiza que este é o primeiro estudo a quantificar o impacto das sanções na saúde, especialmente em relação à mortalidade materna e infantil. Os dados mostram que a imposição de sanções pode resultar em um aumento de 3,1% nas mortes de crianças menores de um ano e 6,4% nas mortes maternas. Gibson alerta que os efeitos adversos podem se manifestar com um atraso, sugerindo que as decisões políticas atuais podem ter consequências duradouras.
O estudo analisou 88 episódios de sanções entre 1990 e 2019, revelando que essas medidas reduziram a Ajuda Oficial ao Desenvolvimento (ODA) em 17% e impactaram diretamente o financiamento da saúde. Os autores recomendam um monitoramento contínuo dos efeitos das sanções na saúde e sugerem considerar a fragilidade dos países antes de implementar tais medidas.
Os resultados indicam que sanções prolongadas podem anular até 64% dos avanços na redução da mortalidade materna e 29% das melhorias nas taxas de mortalidade infantil. A pesquisa destaca a necessidade de repensar a abordagem das sanções, especialmente em um contexto onde a ajuda externa está sendo reavaliada.
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