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Crescimento populacional e poluição agravam crise hídrica em países em desenvolvimento

Crescimento populacional e urbanização elevam uso de água doce em 55% até 2050, enquanto contaminantes emergentes ameaçam a saúde pública.

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O uso de água doce no mundo deve aumentar 55% até 2050, segundo um estudo da revista Frontiers in Water. O crescimento da população e a urbanização estão piorando a escassez e a desigualdade no acesso à água, especialmente em países em desenvolvimento. Um relatório da Unesco de 2024 mostra que 2,2 bilhões de pessoas não têm acesso a água potável segura. Desde 2022, metade da população mundial enfrentou sérios problemas de falta de água, e um quarto viveu sob estresse hídrico extremo. O estudo destaca a presença crescente de contaminantes emergentes, como pesticidas e medicamentos, que não são removidos por tratamentos comuns e se acumulam nos ecossistemas. Esses poluentes podem afetar a saúde humana e a reprodução de organismos. Pesquisadores de diferentes países estão estudando os efeitos desses contaminantes, como a relação entre metais pesados e doenças renais no Sri Lanka e a contaminação por arsênio em água engarrafada em Bangladesh. No Brasil, a Universidade Estadual Paulista investiga os impactos do diuron em peixes. A desigualdade no acesso à água e os efeitos das mudanças climáticas são preocupações importantes, com secas afetando mais de 1,4 bilhão de pessoas entre 2002 e 2021. Apenas um quinto dos países tem acordos para gerenciar bacias hidrográficas que cruzam fronteiras. O pesquisador Geonildo Rodrigo Disner defende que a água deve ser vista como um direito e recomenda a criação de leis e programas de monitoramento para proteger a saúde das pessoas e do meio ambiente.

O uso global de água doce deve aumentar 55% até 2050, segundo um dossiê da revista *Frontiers in Water*. O crescimento populacional e a urbanização agravam a escassez e a desigualdade no acesso a esse recurso, especialmente em países em desenvolvimento.

O relatório da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) de 2024 revela que 2,2 bilhões de pessoas não têm acesso a água potável gerida com segurança. Desde 2022, cerca de metade da população mundial enfrentou grave escassez de água, enquanto um quarto viveu sob estresse hídrico extremo.

O dossiê, intitulado *Emerging Water Contaminants in Developing Countries: Detection, Monitoring, and Impact of Xenobiotics*, destaca a presença crescente de contaminantes emergentes na água. O pesquisador Geonildo Rodrigo Disner, do Instituto Butantan, coeditou o estudo e alerta que, além de poluentes convencionais, a água doce é afetada por pesticidas, medicamentos e produtos de higiene.

Esses contaminantes, como herbicidas e metais pesados, não são removidos por métodos convencionais de tratamento, acumulando-se nos ecossistemas aquáticos. Disner afirma que muitos atuam como desreguladores endócrinos, afetando a saúde humana e a reprodução de organismos.

Os artigos do dossiê abordam a identificação e o monitoramento desses poluentes em países de baixa e média renda. Um estudo do Sri Lanka relaciona metais pesados à alta incidência de doenças renais, enquanto outro de Bangladesh revela contaminação por arsênio em água engarrafada. No Brasil, pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) analisam os efeitos do diuron em peixes-zebra.

A desigualdade no acesso à água e os impactos das mudanças climáticas são preocupações centrais. Grandes enchentes e secas severas afetam a captação e distribuição de água potável, com secas impactando mais de 1,4 bilhão de pessoas entre 2002 e 2021. A disputa por água se intensifica, e apenas um quinto dos países possui acordos para gerenciar bacias hidrográficas transfronteiriças.

Disner enfatiza que a água deve ser tratada como um direito, não como uma mercadoria. O dossiê recomenda a criação de marcos regulatórios e programas de monitoramento para proteger a saúde humana e ambiental, contribuindo para as metas de desenvolvimento sustentável da ONU.

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