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Crioimersão ganha popularidade, mas ciência questiona benefícios duradouros

Crioimersão gera controvérsia: meta-análise aponta aumento temporário da inflamação e benefícios questionáveis para não atletas.

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A crioimersão, que é a prática de mergulhar o corpo em água muito fria, se tornou popular entre atletas e celebridades, prometendo benefícios como menos inflamação e recuperação muscular. No entanto, uma nova pesquisa mostrou que essa técnica pode, na verdade, aumentar a inflamação temporariamente e reduzir o estresse, mas não traz efeitos duradouros. A análise, que revisou 11 estudos com mais de 3.000 participantes, revelou que a imersão em água abaixo de 15 graus Celsius pode causar uma resposta inflamatória imediata, mas não melhora o bem-estar a longo prazo. Embora algumas pessoas relatem melhorias no sono e na qualidade de vida, os especialistas alertam que os benefícios dependem do tempo de exposição e que não há evidências suficientes para recomendar a prática para quem não é atleta. A médica Karina Mayumi Hatano destaca que o uso do gelo é mais indicado para lesões específicas e que a técnica pode ser arriscada se não for feita com cuidado, pois pode causar hipotermia e outros problemas de saúde.

A crioimersão, prática de imersão em água gelada, tem se tornado popular entre atletas e celebridades no Brasil. Associada a benefícios como redução da inflamação e recuperação muscular, a técnica atrai cada vez mais adeptos, incluindo não atletas.

Uma meta-análise recente publicada na revista Plos One analisou onze estudos sobre a crioimersão, envolvendo três mil cento e setenta e sete participantes. Os resultados indicam que a prática provoca um aumento temporário da inflamação logo após a imersão, sugerindo uma resposta inflamatória aguda do corpo ao frio. Apesar disso, não foram encontrados efeitos duradouros nas horas ou dias seguintes à prática.

Os pesquisadores observaram uma redução significativa do estresse doze horas após a imersão, além de melhorias na qualidade do sono e na imunidade. Contudo, a análise ressalta que os efeitos são dependentes do tempo de exposição e que mais estudos são necessários para validar a técnica para não atletas.

A médica do Esporte Karina Mayumi Hatano, do Espaço Einstein de Reabilitação, destaca que a crioimersão é mais indicada para atletas, pois o gelo é reconhecido por seus efeitos analgésicos e anti-inflamatórios. Ela alerta que a prática não é recomendada para não atletas sem supervisão, devido à falta de evidências robustas sobre seus benefícios.

Hatano explica que o uso do gelo deve ser feito em situações específicas, como em lesões, e que a literatura científica ainda não definiu um protocolo claro sobre a duração ideal da imersão. A temperatura da água deve ser entre 10 e 15 graus Celsius, e a exposição excessiva pode levar a complicações, como hipotermia.

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