Pesquisadores da USP descobriram uma maneira de usar bactérias para ajudar gramíneas a resistir ao aquecimento global, o que pode beneficiar a agropecuária no Brasil. O estudo, liderado pelo professor Carlos Alberto Martinez, testou as bactérias Azospirillum brasilense e Pseudomonas fluorescens em gramíneas, simulando um aumento de temperatura de até 2ºC. Os resultados mostraram que as plantas tratadas com essas bactérias tiveram um aumento de 15% na fotossíntese e 38% mais proteína, além de serem mais digestíveis. Isso é importante porque o aumento da temperatura pode reduzir a qualidade das pastagens, fazendo com que o gado precise comer mais para ganhar peso, o que aumenta os custos de produção. O laboratório onde a pesquisa foi realizada simula as condições climáticas futuras e busca melhorar o manejo das pastagens. A pesquisa já atraiu a atenção de empresas, como a Wolf Sementes, que acredita que essas novas sementes podem ser mais caras, mas trazem benefícios a longo prazo.
Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveram uma técnica inovadora que utiliza bactérias para aumentar a resistência de gramíneas ao aquecimento global. O estudo, liderado pelo professor Carlos Alberto Martinez, foi realizado no campus de Ribeirão Preto e publicado em março no periódico *Science of the Total Environment*.
A pesquisa simulou um aumento de até 2ºC na temperatura, cenário que supera a meta do Acordo de Paris. Os resultados indicam que o aquecimento e a escassez de água podem reduzir a produção e a qualidade das pastagens, tornando-as menos nutritivas e mais fibrosas. Isso implica em maiores custos de produção e aumento das emissões de metano pelos animais.
Avanços na Fotossíntese
As bactérias Azospirillum brasilense e Pseudomonas fluorescens foram inoculadas em gramíneas, como a Brachiaria mavuno, amplamente utilizada na pecuária. As plantas inoculadas mantiveram taxas fotossintéticas 15% superiores e apresentaram 38% mais proteína bruta em comparação às não inoculadas. Além disso, houve uma redução de até 22% na lignina, melhorando a digestibilidade do pasto.
O Laboratório de Mudanças Climáticas da USP, criado em 2011, simula os efeitos do aumento do CO2, temperatura e menor oferta de água em forrageiras. Equipamentos avançados monitoram as respostas fisiológicas das plantas em tempo real, permitindo uma análise detalhada do impacto das mudanças climáticas.
Parcerias e Futuro da Pecuária
A pesquisa já atraiu a atenção de empresas, como a Wolf Sementes, que colaborou no desenvolvimento da Brachiaria mavuno. Embora o custo das sementes melhoradas seja 50% superior, a empresa acredita que a produtividade compensará o investimento a médio e longo prazo. O CEO da Wolf Sementes, Alex Wolf, afirma que “a semente melhorada se paga com a produtividade ao reduzir o tempo de abate e diminuir o risco de perdas por questões climáticas”.
Esses avanços podem ser cruciais para a sustentabilidade da agropecuária brasileira, contribuindo para um manejo mais eficiente das pastagens e a adaptação às mudanças climáticas.
Entre na conversa da comunidade