No mercado de Jatinegara, em Jacarta, muitos animais são vendidos, como morcegos e macacos, em condições precárias. Especialistas em saúde pública alertam que esses mercados são locais de alto risco para a transmissão de doenças de animais para humanos. Após a pandemia de COVID-19, que pode ter começado em um mercado semelhante na China, a preocupação com o comércio de animais selvagens aumentou. Embora a China tenha proibido a venda de muitos animais, o comércio ilegal continua. Pesquisadores agora estão estudando como vírus, como os coronavírus encontrados em pangolins e ratos, se espalham nesses mercados. Em um estudo, foram encontrados coronavírus em pangolins confiscados no Vietnã, e a taxa de detecção em ratos vendidos em mercados era muito maior do que em áreas rurais. Além disso, a forma como as pessoas lidam com animais doentes pode aumentar o risco de transmissão de doenças. Para entender melhor esses riscos, cientistas estão investigando as redes de comércio e o comportamento humano em relação aos animais selvagens.
No movimentado mercado de Jatinegara, em Jacarta, a aglomeração de animais vivos levanta preocupações sobre a transmissão de doenças infecciosas. Especialistas em saúde pública alertam que esses locais são focos de zoonoses, doenças que podem ser transmitidas de animais para humanos. A localização do mercado, em um centro internacional de viagens com uma população de 11 milhões de pessoas, aumenta ainda mais os riscos.
Pesquisadores estão agora investigando as interfaces entre humanos e a vida selvagem, além das redes de comércio de animais, como áreas críticas para o estudo de zoonoses. A detecção crescente de coronavírus em pangolins e ratos em mercados é um sinal alarmante. A pandemia de COVID-19, que muitos acreditam ter se originado em um mercado de animais vivos em Wuhan, China, reforça a urgência de abordar esses riscos.
Embora a China tenha proibido a criação e o comércio de muitas espécies selvagens em 2020, o comércio ilegal continua a prosperar. O biólogo de conservação Vincent Nijman afirma que “estamos de volta aos negócios como de costume”, com milhões de animais sendo comercializados diariamente. A pesquisa sobre patógenos em animais selvagens é essencial, mas enfrenta desafios financeiros e de segurança.
Ameaças Zoonóticas
Estudos recentes revelam que a detecção de coronavírus em pangolins confiscados na China se aproxima de 92% do genoma do SARS-CoV-2, o vírus causador da COVID-19. Embora esses vírus não sejam diretamente responsáveis pela pandemia, eles podem representar um risco potencial para a saúde humana. A pesquisa em mercados e redes de comércio é vital para entender como esses patógenos se espalham.
Em um projeto no Vietnã, a pesquisadora Nguyen Thi Thanh Nga e sua equipe estão identificando patógenos em pangolins traficados. De 246 pangolins confiscados entre 2015 e 2018, sete estavam infectados com coronavírus. Em contraste, nenhum dos 334 pangolins apreendidos na Malásia testou positivo para esses vírus, indicando que a contaminação aumenta ao longo da cadeia de suprimentos.
Comportamento Humano e Zoonoses
Pesquisadores também analisam o comportamento humano que facilita a propagação de vírus zoonóticos. Em 2017, o cientista comportamental Jusuf Kalengkongan estudou caçadores de morcegos na Indonésia, observando que muitos não buscam tratamento médico após ferimentos. A falta de confiança nas autoridades pode levar a práticas arriscadas, como vender animais doentes.
A antropóloga médica Hannah Brown destaca que a regulamentação do comércio de vida selvagem deve considerar esses medos, para evitar que as atividades se tornem ainda mais clandestinas. Estudos aprofundados sobre redes de comércio e comportamento humano são essenciais para rastrear a movimentação de animais selvagens e os patógenos que eles transportam.
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