- Um relatório aponta que cortes na ajuda externa do Reino Unido, França e Alemanha podem provocar mais de 11,5 milhões de mortes evitáveis até o fim da década.
- O Reino Unido deve reduzir o ODA em quarenta e cinco por cento entre 2020 e 2026; a Alemanha, em trinta e sete por cento entre 2023 e 2026; e a França, em trinta por cento no mesmo período.
- Considerando apenas cada país, Reino Unido poderia ter 5,1 milhões de mortes a mais até 2030; França, 3,5 milhões; Alemanha, quase 2,9 milhões.
- O estudo afirma que a Europa, com esses cortes, está se afastando de ser um pilar de saúde e desenvolvimento globais, adotando uma nova normalidade de menor envolvimento internacional.
- Entre os impactos, há redução de programas de saúde sexual e reprodutiva na Inglaterra e, para a França, uma queda de 60% na contribuição ao Fundo Global, o que poderia deixar milhões sem prevenção e tratamento de doenças até 2028.
O UK, a França e a Alemanha planejam cortes em seus orçamentos de ajuda externa, o que, segundo um relatório, pode provocar mais de 11,5 milhões de mortes evitáveis até o final da década. O estudo reúne três pesquisas separadas que mostram o tamanho dessas reduções e seus impactos globais. A ONG e investigadores afirmam que a Europa está se afastando de um papel de liderança em saúde e desenvolvimento.
Entre 2020 e 2026, o orçamento de assistência oficial ao desenvolvimento (ODA) do Reino Unido deve recuar cerca de 45%, enquanto a Alemanha registra queda de 37% entre 2023 e 2026 e a França, de 30% no mesmo período, segundo as estimativas. Os números apontam para um redesenho estrutural, não apenas ajuste temporário, conforme o ISGlobal, órgão responsável pelo relatório.
Britânicos lideram as reduções entre os três países, com projeção de 5,1 milhões de mortes adicionais até 2030 associadas a cortes em saúde sexual e reprodutiva. A França poderia registrar mais de 447 mil óbitos evitáveis por ano, e a queda alemã também contribui para milhões de casos não tratados. O estudo aponta impactos diretos na prevenção de Aids, tuberculose e malária.
Detalhes apontam que o financiamento do Global Fund, com queda de 60% na contribuição francesa, pode deixar a execução de programas de controle dessas doenças precarizada, aumentando mortes previstas até 2028. O recuo alemão já reduz a participação do país no PIB e impacta projetos humanitários, com estimativas de que metade da ajuda humanitária seja cortada, agravando a insegurança alimentar de milhões.
O relatório contextualiza as mudanças em um cenário de aumento de gastos com defesa na Europa, em meio a tensões geopolíticas e guerras. Observa ainda que os cortes ocorrem enquanto outros países fortalecem prioridades nacionais, trazendo consequências de longo prazo para governança global de saúde.
O estudo cita que, no caso do Reino Unido, as reduções afetam áreas sensíveis, como planejamento familiar, levando a mais gravidezes não planejadas e riscos de desfechos maternos, com impactos desproporcionais em países de baixa e média renda. Os autores ressaltam que as decisões orçamentárias refletem escolhas políticas com efeitos duradouros.
Em resposta, autoridades britânicas destacaram que o país mantém o compromisso com o desenvolvimento internacional, mas estão modernizando a abordagem para ampliar o impacto e o aproveitamento de recursos. O documento indica que a cooperação ao redor do mundo pode exigir financiamento mais estável e multilateral, para sustentar políticas públicas globais.
Entre na conversa da comunidade