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David Hockney afirma que a abstração na arte esgotou-se

Hockney diz que a abstração já passou, destacando mudanças na percepção e a ausência de sombras na arte oriental frente à fotografia

David Hockney Photo: Marco Secchi / Alamy Stock Photo
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  • David Hockney afirma que a abstração na arte já cumpriu seu papel e está “acabada”, especialmente na tradição europeia.
  • O artista diz que a abstração foi necessária para afastar sombras presentes na arte europeia ao longo dos séculos.
  • Questiona o foco dos historiadores de arte em biografias, defendendo que é preciso acompanhar a prática artística atual e como as obras são feitas.
  • Comenta sobre sombras, reflexos e perspectiva, discutindo Brunelleschi, fotografia e a diferença entre visão geométrica da câmera e percepção humana.
  • Menciona influências de artes japonesas, o papel da luz e do traço na representação, além de mencionar o catálogo MoMA sobre Cézanne e a ideia de que o mundo é bonito, mas os humanos são “loucos”.

David Hockney afirma que a abstração na arte já cumpriu seu papel e está em fim. O artista britânico sustenta que a ideia de abstração nasceu para eliminar sombras que dominaram a arte europeia.

Ele comenta que historicamente o estudo da prática artística vai além das biografias de artistas e aponta a importância dos ateliês com assistentes, não apenas o protagonista solo.

Hockney discute o papel das imagens religiosas e a proibição de imagens em tradições religiosas, lembrando debates de séculos passados sobre a necessidade de imagens para educação e controle social.

O artista relembra uma visita a Florença em 2000 para entender a perspectiva de Brunelleschi e o uso de espelhos côncavos para projetar imagens, destacando a relação entre luz, lente e desenho.

Segundo ele, a luz forte exigida pela fotografia tradicional gera sombras profundas, enquanto a fotografia digital atual permite capturas em condições mais escuras, mudando o tratamento da imagem.

Em relação às tradições artísticas, ele compara a percepção de sombras e reflexos entre Chineses, Japoneses e europeus, sugerindo que a câmera captura apenas superfícies, não a percepção psicológica do observador.

Hockney também cita o catálogo do MoMA sobre desenhos de Cézanne, observando que seus desenhos mostram chiaroscuro, mas muitas aquarelas reduzem sombras, o que, para ele, reforça a sua visão sobre a representação do real.

Sobre o estado da arte, ele afirma que o mundo humano é belo, mas conturbado, destacando que a abstração teve função histórica ao afastar sombras. O artista aponta que a abstração já cumpriu seu papel.

Ele encerra sugerindo que a abstração pode ter chegado ao fim, deixando a arte europeia retornar a uma observação psicológica da realidade, com exemplos de artistas que se aproximaram dessa visão.

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