Em Alta Copa do Mundo NotíciasFutebol_POLÍTICA_Brasileconomia

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Etanol brasileiro encontra amplas matérias-primas, de trigo a batata-doce

Terceira onda de biocombustíveis no Brasil diversifica matérias-primas, incluindo trigo e batata-doce, impulsionando investimentos e novas plantas

Máquina corta cana-de-açúcar em canavial da São Martinho em Pradópolis
0:00
Carregando...
0:00
  • O etanol brasileiro pode passar a usar várias matérias-primas além da cana-de-açúcar e do milho, incluindo trigo, sorgo, cevada, tubérculos e resíduos alimentares.
  • A Be8 investe R$ 1,7 bilhão em uma planta no Rio Grande do Sul para produzir etanol a partir de trigo, com inauguração prevista para março de 2027 e capacidade de 220 milhões de litros por ano.
  • Em 2026, cerca de 28,5 bilhões de litros (71%) do etanol no Brasil virão da cana; o restante virá de outros produtos, principalmente milho, soja, trigo e outros cereais, segundo a EPE.
  • A produção de biocombustíveis ganha impulso com projetos variados, como uso de batata-doce, melaço de soja e resíduos alimentares para etanol e coprodutos, ampliando renda e diversificação de culturas.
  • O governo projeta elevar o percentual obrigatório de etanol na gasolina para 32% em junho; especialistas avaliam que entre 40% e 45% da produção poderá vir de grãos em cinco a seis anos.

O etanol brasileiro pode ganhar novas matérias-primas além da cana-de-açúcar e do milho. Carros no Brasil, até então movidos majoritariamente por etanol canavieiro, podem passar a usar biocombustíveis derivados de trigo, cevada, sorgo e até resíduos alimentares. A inovação avança a partir de pesquisas no agronegócio e na indústria de energia.

Especialistas avaliam a viabilidade de várias culturas como fontes de etanol, além de explorar resíduos de alimentos para a produção de coprodutos. Executivos de empresas e pesquisadores ressaltam que a transição envolve múltiplas matérias-primas para ampliar a oferta e reduzir riscos.

A indústria brasileira de etanol movimenta cerca de US$ 20 bilhões e já oferece flex cars com misturas de etanol na gasolina. Dados oficiais indicam que, em 2026, 71% da produção deverá vir da cana, enquanto 11,2 bilhões de litros virão de outras culturas, principalmente milho, trigo e soja.

Terceira onda de biocombustíveis

A nova fase envolve grandes produtores e startups, com projeções de maior diversidade de matérias-primas e aumento da participação de grãos de inverno na produção de etanol. O Brasil também investiga o uso de resíduos alimentares para gerar energia e coprodutos.

A Be8, por exemplo, investe R$ 1,7 bilhão em uma planta no Rio Grande do Sul para produzir etanol a partir de trigo, com inauguração prevista para março de 2027. A planta terá capacidade de 220 milhões de litros por ano e deve gerar DDG e glúten de trigo como coprodutos.

Impactos regionais e econômicos

No Norte e Nordeste, o etanol de cana enfrenta concorrência de novas matérias-primas, enquanto produtores da cana relatam desafios de preços do açúcar e de expansão diante de margens reduzidas. A geração de demanda dependerá também de políticas públicas, como o aumento da mistura obrigatória de etanol na gasolina.

Estimativas indicam que entre 40% e 45% da produção de etanol brasileira possa vir de grãos em cinco a seis anos, conforme projeções de associações setoriais e especialistas. A ampliação da rede de bombas de etanol 100% e a criação de novas usinas influenciarão esse cenário.

Exemplos de aplicações e inovações

O trigo e outros cereais de inverno podem abastecer usinas e ampliar a oferta de etanol. Grãos destilados produzem também coprodutos usados na alimentação animal. Em São Paulo, produtores estudam transformar o excedente de batata-doce em etanol e ração, buscando viabilidade econômica.

Grandes processadores de soja exploram o melaço resultante do processamento da oleaginosa para etanol, diversificando a matriz de produção. A Ambipar utiliza resíduos alimentares para gerar etanol, destacando o papel de resíduos na cadeia de biocombustíveis.

Perspectivas futuras

No âmbito global, o agave é avaliado como possível matéria-prima para biocombustível, com projetos-piloto em andamento. A Shell aposta na diversidade de biomassa para viabilizar a transição energética, reforçando que nenhuma única matéria-prima basta para atender a demanda futura.

A conjuntura atual aponta para uma expansão gradual, com evolução tecnológica, melhoria de processos e alinhamento regulatório. A pretensão é ampliar a participação de matérias-primas diferentes na matriz de etanol, sem depender exclusivamente da cana.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais