- O primeiro-ministro britânico Keir Starmer visitou a China e trouxe acordo com benefícios comerciais, destacando os limites de um “pivot” ocidental para o país diante de Trump.
- Durante a missão, Reino Unido ganhou acesso de 30 dias sem visto para viajantes britânicos e tarifas menores sobre uísque chinês.
- A AstraZeneca anunciou investimento de £ 15 bilhões na China durante a visita.
- A conversa incluiu tensões com Taiwan, laços mais fortes da China com a Rússia e o crackdown de direitos humanos em Hong Kong.
- Analistas dizem que os ganhos com a China são limitados para a indústria britânica e sugerem que as visitas servem mais para reduzir tensões do que para uma mudança estratégica profunda.
O primeiro-ministro britânico Keir Starmer visiting China abre uma nova rodada de gestos estratégicos entre Pequim e Ocidente. A viagem, realizada em um momento de tensões globais, traz acordos e mensagens que sinalizam um equilíbrio entre parceria econômica e cautela política.
Durante a visita, Starmer obteve acesso de 30 dias sem visto para britânicos viajando à China. O governo chinês também concordou com tarifas mais baixas sobre uísque britânico, num movimento visto como ganho comercial. A Liberdade de movimento aparece como um resultado tangível do encontro.
Acompanhando o diplomata britânico, a farmacêutica AstraZeneca anunciou um investimento de cerca de £15 bilhões na China, sinalizando compromisso de longo prazo em pesquisa, desenvolvimento e produção. O anúncio reforça o foco em cooperação no setor de saúde.
Por outro lado, a conversa com autoridades chinesas não deixou de abordar tensões. As autoridades britânicas e ocidentais criticaram pontos como a postura de Pequim sobre Taiwan, laços com a Rússia após a invasão à Ucrânia e a repressão aos direitos em Hong Kong. Pequim negou acusações de espionagem.
A visita busca, segundo analistas, demonstrar a existência de alternativas aos EUA caso Washington intensifique pressões sobre comércio e alianças. Países como Canadá e outros já tinham sinalizado movimentos semelhantes nos últimos meses, inseridos em um cenário de realinhamento estratégico global.
Para os especialistas, no entanto, os ganhos comerciais costumam ser limitados frente ao tamanho da economia chinesa e à dependência de cadeias produtivas. O ritmo de crescimento e os avanços de exportação chinesa elevam riscos para setores industriais de países intermediários.
“Essas visitas revelam limites de qualquer suposto pivô para a China”, afirma uma especialista, destacando que o espaço para que médias potências reconfigurem plenamente suas relações com Pequim é estreito. Ainda assim, o movimento é visto como tentativa de sinalizar contenção e gestão de riscos.
Antes da passagem de Starmer, o ex-presidente do Canadá, Mark Carney, já havia fechado acordos de comércio com a China. Os observadores associam esses encontros a uma agenda de redução de atritos com Pequim, ainda que não substituam vínculos com os Estados Unidos.
Trump, por sua vez, reiterou advertências sobre negócios com a China. Em meio ao discurso público, ele pondera que uma aproximação com Pequim pode trazer custos para Washington, alimentando o debate sobre o equilíbrio entre forças globais.
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