- A disputa entre Ursula von der Leyen e Kaja Kallas sobre o controle da diplomacia da União Europeia ameaça fragilizar a atuação externa em um momento turbulento para a Europa.
- Há tensões sobre o papel do Serviço de Ação Exterior (SEAE) e sobre possíveis estratégias para ampliar o poder da presidência da Comissão, o que preocupa diplomatas.
- França e outros Estados defendem reformas para tornar a diplomacia europeia mais eficaz, incluindo mudanças no SEAE e na coordenação entre instituições.
- Incidentes passados, como a tentativa de Kallas de contratar Martyn Selmayr, expuseram fragilidades na relação entre SEAE, Comissão e os Estados membros.
- Especialistas e legisladores alertam para uma disfuncionalidade estrutural do sistema criado pelo Tratado de Lisboa, sugerindo necessidade de liderança compartilhada e reformas para evitar atritos que atrasem a política externa.
A guerra entre Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, e Kaja Kallas, alta representante para Política Externa, acirra a diplomacia da União Europeia em Bruxelas. A disputa envolve controle da política externa e influências dentro do SEAE, em meio a um momento de instabilidade para a UE.
Diplomatas comentam que as rixas refletem uma disputa institucional pelo poder, sem sangue ou rupturas, mas com impacto na imagem externa da UE. A tensão recente veio a público após reportagens da imprensa europeia citarem planos de reforma e de cooperação entre instituições.
Fontes internas indicam que Von der Leyen tenta ampliar a influência da Comissão sobre a política externa, enquanto Kallas defende a primazia do SEAE e a coordenação com os Estados-membros. O debate envolve leitura de tratados e possibilidades de reforma institucional.
França teria apresentado propostas para aumentar a eficácia da diplomacia europeia, incluindo reformas no SEAE, segundo documentos consultados pela imprensa. A leitura comum é de que a UE opera sob poderes compartilhados entre Comissão, Conselho e Estados, com papel central da alta representante.
Críticas ao modus operandi de ambas aparecem entre Estados-membros. Alguns apontam pressa excessiva de Von der Leyen em avançar temas de política externa; outros acusam Kallas de foco excessivo em Rusia, com impactos na visão europeia. A malaise é reconhecida por diplomatas.
Analistas destacam que a tensão expõe uma disfunção estrutural no desenho institucional criado pelo Tratado de Lisboa, que combina funções da Comissão e do Conselho para política externa. A situação ilustra desafios de coordenação entre instituições em tempos de geopolítica volátil.
Entre na conversa da comunidade