- Tribunal determinou prisão preventiva de Paulo Abreu dos Santos, 38 anos, por risco de continuidade de crimes, ocultação de provas e comoção social gerada pelo caso.
- A Procuradoria-Geral da República estima indícios de que ele cometeu cerca de 500 delitos de pornografia infantil e dois de abusos sexuais de menores.
- Investigação começou após uma agência federal dos Estados Unidos alertar a Polícia Judiciária portuguesa sobre um usuário em Portugal ligado a uma rede internacional de pornografia infantil.
- Em buscas, a polícia encontrou em seu celular dois vídeos de abusos sexuais de menores e 500 imagens de pornografia infantil; um destes rastros ligou a um computador em casa, outro a um aparelho do Ministério da Justiça, onde ele deixou de trabalhar em 2024.
- A Universidade de Lisboa suspendeu o contrato de Abreu, que lecionava na Faculdade de Direito; ele estaria colaborando com um escritório de advocacia, que afirmou não manter mais relação laboral. As vítimas teriam cerca de 10 anos.
Paulo Abreu dos Santos, 38 anos, foi mantido em prisão preventiva por determinação de um tribunal em Portugal, nesta terça-feira. O juiz entendeu haver alto risco de continuação da atividade criminosa, possível ocultação de provas e alarme social. A investigação é conduzida pela Procuradoria-Geral da República.
O caso envolve o ex-advogado, que era muito valorizado por seus chefes. Catarina Sarmento e Castro, ex-ministra da Justiça, elogiou o trabalho dele desde que o contratou em outubro de 2022, quando ainda atuava como adjunto.
A investigação teve início após alerta de uma agência federal dos Estados Unidos, que informou à Polícia Judiciária portuguesa a presença de um usuário ativo em Portugal ligado a uma rede internacional de pornografia infantil.
Desenvolvimento da investigação
A Polícia Judiciária identificou dois rastros principais a partir de endereços IP: um ligado a um computador em via doméstica e outro a um equipamento do Ministério da Justiça, onde Abreu deixou de atuar em 2024, após mudanças políticas vinculadas à saída de António Costa.
Os agentes realizaram buscas no domicílio do suspeito na última quinta-feira. Em material apreendido, constaram dois vídeos com abusos sexuais de menores gravados pelo próprio médico-advogado, segundo o jornal Público. No total, foram encontradas cerca de 500 imagens de pornografia infantil em seus aparelhos.
As autoridades ainda avaliam se o investigado associava-se a redes nacionais ou internacionais para troca de conteúdo ilícito. O Ministério Público continua levantando informações para esclarecer a extensão do material apreendido.
Repercussões e desdobramentos
Após a detenção, a Universidade de Lisboa suspendeu o contrato com Abreu, que lecionava na Faculdade de Direito. O escritório de advocacia da capital portuguesa também informou afastamento da relação trabalhista, ainda que haja posição de consternação com o caso. A defesa não foi mencionada no material disponível.
Segundo a SIC, Abreu teria admitido os fatos e reconheceu o consumo de pornografia infantil desde 2023, além de ter indicado as identidades de algumas vítimas, incluindo uma pessoa próxima ao seu círculo de conhecidos, todas com cerca de 10 anos.
A atuação do caso ocorre em meio a outros desdobramentos no cenário político, como a acusação de um dirigente do Chega por prostituição de menores, denunciada pela Fiscalía em fevereiro. A apuração envolve questões sensíveis e mantém o enfoque na legalidade e no andamento do inquérito.
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