- Relatório de cerca de duas centenas de páginas da Polícia Federal, em sigilo, foi entregue ao presidente do STF, Edson Fachin, e aponta telefonemas entre o ministro Dias Toffoli e o banqueiro Daniel Vorcaro, além de convite para uma festa de aniversário.
- O documento também descreve conversas sobre repasses envolvendo o resort Tayayá, da família de Toffoli, e a participação da empresa Maridt, ligada aos Vorcaro, em transações com o empreendimento.
- Segundo a apuração, Toffoli admite ter recebido valores da empresa, com repasses afirmando serem regulares por ele também ser sócio da companhia ao lado dos irmãos, ainda que detalhes sobre a sua participação não estivessem amplamente divulgados.
- O relatório não pede explicitamente o afastamento do ministro, mas aponta elementos que, na visão dos investigadores, indicariam incompatibilidade para que ele conduza a relatoria do caso na Corte.
- Fachin analisa o material para decidir sobre eventual suspeição de Toffoli, enquanto a PF já solicitou explicações formais ao ministro e a discussão ganha novo contorno na crise envolvendo o caso do Banco Master.
O relatório da Polícia Federal sobre o envolvimento do banqueiro Daniel Vorcaro, do ex-Banco Master, com o ministro Dias Toffoli, do STF, aponta ligações entre ambos. O material revela telefonemas, convite para uma festa de aniversário e conversas sobre repasses ligados ao resort Tayayá, da família de Toffoli. O jornal O Globo trouxe as informações nesta quinta-feira.
O documento, com cerca de 200 páginas e sigilo preservado, foi entregue ao presidente do STF, Edson Fachin, pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. O material não solicita formalmente o afastamento de Toffoli, mas traz elementos que, segundo os investigadores, podem indicar incompatibilidade para a condução da relatoria do caso.
Toffoli classificou as informações como ilações e afirmou que a PF não tem poder para afastá-lo nos termos do CPC. O relatório foi apresentado no contexto de apuração sobre transações envolvendo o Grupo Maridt e o resort no qual a família do ministro possui participação.
Pontos-chave da apuração
Entre os aspectos destacados estão diálogos sobre o resort Tayayá e tratativas envolvendo a empresa Maridt, ligada aos Toffoli. Em 2021, a empresa vendeu participação a um fundo administrado por familiares de Vorcaro, segundo apuração.
O ministro admite ter recebido valores da empresa em função de sua participação societária no grupo ao lado de irmãos. Até o momento, não havia confirmação pública de sua participação direta na Maridt, o que é citado como foco da investigação.
A relação com Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e apontado como operador relevante, é tratada como eixo central da apuração. O resort aparece repetidamente nas conversas rastreadas pelos investigadores.
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