- Investigadores da PF relatam aumento de pressão, direta e indireta, do gabinete do ministro Dias Toffoli desde o fim de 2025 e, com mais intensidade em 2026, na condução das apurações sobre o Banco Master e Daniel Vorcaro.
- Relatório de cerca de duas centenas de páginas aponta possível conflito de interesses de Toffoli na relatoria; há registros de ligações entre Vorcaro e Toffoli e diálogos sobre pagamentos a Toffoli.
- Toffoli determinou que a PF envie integralmente os conteúdos dos celulares apreendidos à Corte, após controversa decisão anterior sobre custódia, para garantir contraditório e devido processo legal.
- Houve disputas entre PF e gabinete: prazos reduzidos para depoimentos, troca de destino das provas para a Procuradoria-Geral da República e críticas públicas sobre lentidão e centralização do controle da investigação.
- A defesa de Vorcaro e especialistas apontam riscos de vazamentos seletivos e prejuízo ao direito de defesa; investigadores dizem que decisões recentes podem limitar a atuação da PF e impactar o ritmo das diligências.
A Polícia Federal (PF) e servidores que atuam no caso Master relatam aumento de pressão do gabinete do ministro Dias Toffoli, relator no STF, desde o fim de 2025 e com maior intensidade no início de 2026. O foco envolve a apuração de fraudes associadas ao Banco Master e a Daniel Vorcaro, com sondagens informais e cobranças por acompanhamento de provas.
Relatos indicam que integrantes do gabinete passaram a questionar, de forma informal, o andamento das etapas da investigação e o conteúdo obtido em aparelhos de Vorcaro. A PF entregou um relatório ao STF descrevendo possíveis conflitos de interesse e a proximidade entre Toffoli e Vorcaro, incluindo ligações e convites para eventos.
Pressões e decisões que alteraram o ritmo das apurações
Em janeiro de 2026, Toffoli prorrogou as investigações em 60 dias, mas estabeleceu prazo de apenas dois dias para depoimentos considerados cruciais, segundo relatos de investigadores. A medida foi vista como operativa e desafiadora pela complexidade da análise de dados financeiros.
Outra controvérsia ocorreu quando Toffoli determinou que materiais apreendidos ficassem sob guarda do STF; diante de críticas, ele ordenou que parte do material fosse encaminhada à Procuradoria-Geral da República (PGR) para análise. A PF continuou responsável pela perícia, com cautelas na custódia dos dispositivos.
Transferência de provas e controle institucional
A PF pediu autorização de Fachin para novas diligências, sugerindo a possibilidade de novas fases da operação. Em resposta, Toffoli nomeou quatro peritos da PF para atuar na extração das provas dentro da PGR, sob supervisão do gabinete. Internamente, a medida gerou a percepção de enfraquecimento da autonomia policial.
O caso foi transferido da 8ª Vara Federal de São Paulo para o STF, com Toffoli assumindo sob sigilo. Em janeiro, o ministro criticou a suposta lentidão da PF, o que intensificou o debate sobre centralização da condução das investigações.
Depoimento de Vorcaro e mensagens apreendidas
Durante o depoimento de Vorcaro, houve divergências entre a delegada responsável e o gabinete de Toffoli sobre a condução dos interrogatórios. A orientação mudou para que as perguntas seguissem o viés indicado pelo ministro, aumentando o atrito entre PF e o gabinete.
Mensagens encontradas em celulares de Vorcaro mencionaram Toffoli, contatos entre ambos e convites sociais, além de diálogos sobre o resort Tayayá e operações envolvendo familiares do empresário. A PF considerou estes elementos relevantes para eventual conflito de interesses, enquanto o gabinete negou irregularidades.
Resposta oficial e defesa
Toffoli afirmou que não houve relação de amizade com Vorcaro. Em nota, o gabinete destacou que Toffoli não conhece o gestor do Fundo Arleen e que não recebeu valores de Vorcaro ou de seu cunhado. A defesa de Vorcaro pediu que o acesso aos dados fosse mantido de forma íntegra e com garantias ao contraditório.
Panorama atual
A PF mantém a avaliação de que as decisões do relator podem influenciar a velocidade e o alcance das investigações. O STF avalia, internamente, a viabilidade de eventuais ajustes na condução do caso, preservando a imparcialidade. O gabinete de Toffoli sustenta que as medidas visam assegurar a cadeia de custódia e o controle judicial adequado.
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