- Jorge Serôdio Borges e Sandra Tavares da Silva, à frente da Wine & Soul, celebram vinte e cinco anos e são protagonistas da vanguarda dos vinhos portugueses.
- O Pintas, feito com várias uvas em vinhedos de terroirs diferentes, colocou a Wine & Soul entre a elite do setor e mostrou a capacidade de Portugal produzir vinhos de mesa de nível mundial.
- Entre 2008 e 2009, o casal assumiu a gestão total da Quinta da Manoella, herdada historicamente pela família, e investiu na ampliação de terroirs.
- O Quinta da Manoella Vinhas Velhas chamou a atenção de Angelo Gaja, que ficou impressionado com o frescor do vinho e visitou a propriedade para conhecê-los.
- Fora da vinicultura, Jorge Serôdio Borges tem paixão por automobilismo e busca, entre viagens, um carro clássico da avó que liderava a vinícola, integrando vida pessoal e profissional.
No último jantar de maio, o Quinta da Manoella Branco 2024 abriu a noite, diante da aposta de que vinhos podem cruzar fronteiras. Jorge Serôdio Borges sorriu ao perceber que o degustador poderia confundir o rótulo com algo francês ou da Borgonha. A fala personifica a visão de Portugal no mapa vitivinícola moderno.
Sandra Tavares da Silva, ao lado de Jorge, é protagonista de uma virada que levou o Douro ao cenário global ao lado dos Douro Boys. O movimento, iniciado há 30 anos, mostrou que as vinhas do Douro podiam entregar vinhos de mesa de nível mundial, não apenas o tradicional Vinho do Porto.
Formação e parceria
Antes de consolidar a carreira, Sandra equilibrou esporte de alto rendimento, moda e enologia. Ela integrou a seleção portuguesa de vôlei entre 10 e 17 anos e depois trabalhou como modelo. Formou-se em Agronomia com especialização em Enologia, enfrentando resistência em um meio patriarcal.
O encontro ocorreu em 1999, na festa de colheita da Quinta do Vale Dona Maria, onde ela trabalhava. Casaram-se em 2001 e, juntos, criaram a Wine & Soul, empresa que completa 25 anos. Em vez de erguer uma casa, escolheram um vinhedo em Vale de Mendiz, com vinhedos de mais de 90 anos e 45 castas.
Pintas e expansão
O batismo da vinícola marcou uma aposta ousada: o Pintas, nome inspirado no cachorro pointer inglês, projetou a Wine & Soul para a elite do setor. Entre 2008 e 2009, o casal assumiu a gestão total da Quinta da Manoella, herdada da família de Jorge desde 1838, ampliando terroirs.
Da Manoella nasceu o Vinhas Velhas, tinto que surpreendeu críticos internacionais. O famoso enólogo Angelo Gaja provou o vinho e viajou a Portugal para conhecer o casal, reconhecendo o frescor que destoava da assinatura típica do Douro.
Conexões e paixões
A relação com o mercado externo seguiu internações marcantes. Em uma visita ao Brasil, um casal presenteou 18 garrafas Magnum de Vinhas Velhas, com assinatura do enólogo, gerando um ritual anual para a família que celebra o crescimento da filha Manuela.
Além da viticultura, Jorge é apaixonado por automobilismo, tendo vencido campeonatos nacionais com Fiat Punto e Alfa Romeo. Em 2023-2024, planeja novos desafios com um carro em ajuste para competir novamente, mantendo a ligação entre velocidade e precisão nos vinhos.
Olhar ao futuro
A atuação de Jorge e Sandra segue a lógica da alta performance: cada parcela é tratada como parte de uma orquestra, onde diferentes uvas e solos criam vinhos com personalidade. A dupla mantém a meta de manter a Wine & Soul na vanguarda do Douro, preservando a herança familiar e abrindo portas para novos mercados.
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