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Europa busca fortalecer presença geopolítica com investimento de 300 bilhões de euros

A União Europeia busca fortalecer sua influência global com o programa Global Gateway, mobilizando 300 bilhões de euros em resposta a cortes na ajuda ao desenvolvimento.

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A União Europeia está enfrentando dificuldades em ajudar países em desenvolvimento, especialmente após os cortes na ajuda dos Estados Unidos e de outras nações europeias. Jozef Síkela, comissário de Cooperação Internacional da UE, destacou a importância do programa Global Gateway, que pretende mobilizar 300 bilhões de euros até 2027. Esse programa visa aumentar a influência da Europa no cenário global, especialmente em resposta à crescente presença de países como China e Rússia. Síkela lamentou a suspensão da USAID pelos EUA, afirmando que isso é um sinal negativo para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, mas também uma oportunidade para a Europa se firmar como um parceiro confiável. Ele enfatizou a necessidade de focar em investimentos que promovam o desenvolvimento econômico e a criação de empregos, além de atrair capital privado. Síkela também abordou a complexidade de ajudar países sob sanções, como Cuba, afirmando que a UE sempre buscará ajudar as pessoas necessitadas, mesmo em contextos difíceis. Ele comentou sobre a proposta de trocar dívidas por ações climáticas, considerando-a interessante, mas complicada. Por fim, ele acredita que as críticas à agenda de desenvolvimento sustentável na Europa se concentram mais nos custos do que nos objetivos em si, e que a UE deve ser pragmática ao buscar soluções para esses desafios.

Jozef Síkela, comissário de Cooperação Internacional da União Europeia (UE), destacou a relevância do programa Global Gateway, que pretende mobilizar € 300 bilhões entre 2021 e 2027. A iniciativa visa fortalecer a presença geopolítica da Europa em um cenário de crescente influência de potências como China e Rússia, especialmente após a suspensão da USAID pelos Estados Unidos e cortes na ajuda de outros países europeus.

Em entrevista, Síkela afirmou que a decisão dos EUA é um “mal mensagem” para a agenda de desenvolvimento, que enfrenta uma lacuna de US$ 4 trilhões para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Ele enfatizou que a Europa deve aproveitar essa oportunidade para não deixar espaço para seus rivais. “Estamos vendo o que isso significa, por exemplo, no Sahel”, disse.

O comissário ressaltou que a Europa continua sendo o maior patrocinador da agenda de desenvolvimento, mesmo com possíveis reduções nas contribuições de alguns países devido a gastos com defesa. Síkela também abordou a necessidade de um novo enfoque na ajuda, enfatizando a criação de empregos e acesso a mercados globais como formas de promover o desenvolvimento sustentável.

Desafios e Oportunidades

Síkela comentou sobre a crítica à narrativa do “salvador branco” na ajuda externa, afirmando que a UE deve oferecer um futuro sustentável. Ele destacou a importância de atrair capital privado e criar um ambiente favorável para investimentos. “Quando me reúno com representantes de países parceiros, eles perguntam sobre novas investidas. Respondo que depende deles”, afirmou.

Sobre países sob sanções econômicas, como Cuba, Síkela reiterou que a UE atuará conforme seus valores, priorizando a democracia e os direitos humanos. No entanto, ele reconheceu a necessidade de ajudar populações vulneráveis em contextos frágeis, como Síria e Afeganistão.

Agenda Climática

O comissário também comentou sobre a proposta do presidente da Colômbia, Gustavo Petro, de trocar a dívida externa por ações climáticas. Síkela considerou a ideia interessante, mas complexa, ressaltando que a Europa não pode cancelar dívidas enquanto outros países, como a China, não o fazem.

Por fim, ele abordou as críticas à agenda de desenvolvimento sustentável na Europa, afirmando que os ODS não são contestados, mas sim sua viabilidade e custos. “Global Gateway oferece uma solução para cumprir os objetivos climáticos, ajudando na descarbonização em outros continentes”, concluiu.

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