- Um estudo publicado na revista Nature alerta que a Amazônia pode entrar em regime hipertropical até o fim do século se não houver ação contra as mudanças climáticas; secas mais longas e quentes podem alcançar até cento e cinquenta dias por ano até 2100.
- Durante secas intensas, a fotossíntese é prejudicada, a transpiração aumenta e as árvores podem sofrer embolismos na seiva, especialmente as altas com madeira menos densa.
- Tempestades durante períodos áridos derrubam grandes árvores, eliminando parte significativa da floresta; cada árvore que cai pode matar pelo menos quinze menores.
- Os anos de seca severa estão associados ao El Niño; o estudo acompanhou, de perto, os efeitos do fenômeno na floresta durante 2015 e 2023‑2024.
- A parceria entre o Laboratório Nacional Lawrence Berkeley (Estados Unidos) e o INPA (Brasil) pretende melhorar previsões climáticas globais e expandir o monitoramento para Rondônia, Pará e Amapá.
As temperaturas globais sobem, a Amazônia pode entrar em um novo regime climático de secas quentes e prolongadas. Estudo na revista Nature alerta para possível regime hipertropical até o fim do século, com impactos na sobrevivência das árvores.
Pesquisadores do INPA, em Manaus, e do Lawrence Berkeley National Laboratory, na Califórnia, lideram a investigação. A parceria soma mais de 10 anos de monitoramento da biomassa e da água na floresta. Projeto envolve 87 árvores.
Entre 2015 e 2023, cientistas acompanharam minuto a minuto o fluxo de água, umidade do solo e temperatura das copas para entender a mortalidade durante secas intensas. Dados reforçam relação entre calor extremo e queda de produção.
Durante secas, a fotossíntese diminui e a transpiração aumenta. Estômatos fecham para conservar água quando o ambiente esquenta demais, reduzindo a entrada de CO2 e fortalecendo o estresse.
Se a umidade do solo cai abaixo de um terço, árvores que não se fecham podem morrer por embolismos na seiva. Climas hipertropicais fragilizam principalmente árvores altas, de madeira menos densa.
Tempestades frequentes também atuam como golpe final. Árvores mais frágeis caem e, ao derrubar-se, podem matar dezenas de outras ao redor, ampliando o impacto na floresta.
El Niño, La Niña e a influência humana. Anos de seca severa coincidem com El Niño, elevando temperaturas do Pacífico e alterando chuvas na Amazônia. La Niña traz o oposto, aumentando o regime de chuva.
Hábitos recentes de emissão de gases de efeito estufa podem ampliar a duração e a intensidade dessas secas. A alternância El Niño/La Niña poderia causar danos maiores à floresta se mantida a tendência atual.
A meta da parceria científico-técnica é melhorar previsões climáticas globais. A hipótese é que o gargalo do clima reside nas florestas tropicais, incluindo a Amazônia, e o monitoramento pode orientar modelos globais.
Diversificar o monitoramento para Rondônia, Pará e Amapá está nos planos, ampliando o conjunto de dados. Os resultados também apontam possibilidades de hipertropia em florestas da África e do Sudeste Asiático.
Cientistas ressaltam que acompanhar o dia a dia do El Niño de 2023-24 foi essencial para entender o efeito da seca prolongada sobre a floresta. O estudo afirma que o limiar da floresta, se ultrapassado, seria desastroso.
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