O governo brasileiro anunciou a isenção total das tarifas de importação de nove alimentos, visando facilitar a entrada desses produtos no mercado interno e conter a alta de preços. Um levantamento da equipe econômica, com dados do Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), indica que a medida deve ter maior impacto em itens como azeite […]
O governo brasileiro anunciou a isenção total das tarifas de importação de nove alimentos, visando facilitar a entrada desses produtos no mercado interno e conter a alta de preços. Um levantamento da equipe econômica, com dados do Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), indica que a medida deve ter maior impacto em itens como azeite e sardinha, que têm alta demanda de importação. Apesar de algumas reduções de preços já serem observadas, analistas apontam que o efeito na inflação será limitado, com muitos produtos ainda considerados caros nos supermercados.
A vendedora Suzana Ferreira, de 43 anos, comentou que o preço do azeite, embora tenha diminuído, ainda não é ideal, citando uma embalagem de 250ml a R$ 25,98. Atualmente, o Brasil importa 99% do azeite consumido, principalmente de Portugal e Espanha. Dados do FGV Ibre mostram que itens como azeite, café e carnes têm apresentado variações de preços menores desde a implementação da isenção de impostos em março. O coordenador dos índices de preços do FGV IBRE, André Braz, ressalta que, embora alguns produtos estejam mostrando inflação menor, é cedo para atribuir isso exclusivamente à redução de tarifas.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) já reporta quedas de preços em produtos como óleo de soja, ovos, carne bovina e farinha de trigo, em parte devido à isenção de tarifas. O óleo de soja, por exemplo, teve uma redução de 1% a 4% em relação a fevereiro, enquanto o preço do ovo caiu 6% no Espírito Santo. A alíquota para a sardinha importada, que era de 32%, também foi um fator relevante para a mudança nos preços. Contudo, a indústria pesqueira nacional deve continuar dominando o mercado de sardinha enlatada.
Silvio Campos Neto, economista sênior da Tendências, destaca que o Brasil é um grande produtor de muitos itens com tarifas zeradas, como carnes e café, o que limita o impacto das importações no mercado interno. A recuperação da safra agrícola pode trazer alívio nos preços ao longo do ano, especialmente entre os trimestres dois e três. A redução das tarifas também deve aumentar a importação de massas alimentícias, principalmente da Itália e dos EUA, que são os principais fornecedores.
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