- O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton Aquino, comparou a fraude do Banco Master ao caso do Cruzeiro do Sul, descoberto em 2012 no governo Dilma Rousseff.
- A fraude envolve emissão de Cédulas de Crédito Bancário a partir de créditos inexistentes, com participação das empresas Tirreno, The Pay e Cartos.
- O Banco Master é alvo de apuração que aponta cerca de R$ 12 bilhões em créditos inexistentes, com impacto de aproximadamente R$ 4 bilhões no Banco de Brasília (BRB). O Cruzeiro do Sul deixou um rombo de cerca de R$ 2 milhões.
- O STF levantou o sigilo dos vídeos da acareação, a pedido do Banco Central; os depoimentos públicos tiveram participação de Ailton de Aquino, Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa.
- Houve discussão sobre medidas adicionais ao Master; Aquino afirmou que, antes do processo administrativo, houve comunicação de indícios ao Ministério Público, conforme dever de ofício.
O diretor de Fiscalização do Banco Central do Brasil, Ailton Aquino, comparou a fraude do Banco Master ao caso do Banco Cruzeiro do Sul, apurado em 2012, no governo Dilma Rousseff. O STF, por meio de Dias Toffoli, retirou o sigilo dos vídeos de uma acareação. A investigação envolve emissão de CCBs a partir de créditos inexistentes.
Contexto do caso
Três empresas aparecem como envolvidas: Tirreno, The Pay e Cartos. O núcleo é a criação de Cédulas de Crédito Bancário com créditos que não existiam, segundo a delegada responsável. Técnicas de auditoria identificaram mensagens de emissão de documentos duvidosos.
Aquino explicou a rotina de fraude: alertas recebidos pelo BC indicavam valores acima de 5 mil reais; bancos emitiam documentos com valores próximos, mas menores que o teto. No Cruzeiro do Sul, o valor da central de risco foi reduzido de 5 mil para 200 reais para facilitar crédito.
Desdobramentos financeiros
No Cruzeiro do Sul, o rombo ficou perto de 2 milhões de reais. No Master, o montante é estimado em cerca de 12 bilhões, com impacto de 4 bilhões no BRB, que chegou a adquirir créditos inexistentes. O caso do Master amplia o peso financeiro para o sistema.
A decisão de levantar o sigilo atende a um pedido do Banco Central. O restante do processo segue em sigilo. As audiências contaram com a delegada Janaina Pereira Lima Palazzo e com Ailton de Aquino, Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa.
Depoimentos e questionamentos
Entre os depoentes estão o empresário dono do Master, Daniel Vorcaro, e o ex-presidente do BRB. Relatos apontam relatórios diários da operação entre Tirreno, Master e BRB, com registros posteriores a questionamentos institucionais.
O STF também discutiu se o BC deveria adotar outras medidas além da liquidação. O advogado de Aquino contestou a formulação, destacando a governança bilateral e a necessidade de avaliações futuras.
Esclarecimentos do BC
Aquino afirmou que a comunicação ao Ministério Público não é apenas recomendável, é um dever de ofício. O BC pode, em tempo, iniciar processo administrativo sancionador, mas primeiro prefere encaminhar indícios ao MP. O prazo para ação administrativa é de cinco anos.
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