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Luana Lara, Kalshi, diz que plano A é trabalhar com o governo

Kalshi trabalha para reverter a proibição no Brasil, mantendo diálogo regulatório e destacando seu volume global acima de US$ 4 bilhões por semana

Luana Lara, da Kalshi: mercados preditivos são diferentes de casas de aposta. (Foto: Sam Barnes/Web Summit via Sportsfile)
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  • A Kalshi diz que o “plano A” é trabalhar de forma construtiva com o governo brasileiro para reverter o veto e manter a operação, após o CMN proibir mercados de previsão no país e o Ministério da Fazenda bloquear IPs; a XP foi anunciada como passo inicial de internacionalização.
  • A cofundadora Luana Lopes Lara afirma que a Kalshi opera com mais de US$ 4 bilhões em volume por semana e que a expansão internacional depende de regulações adequadas, com foco no Brasil apenas quando o ambiente for regularizado.
  • A empresa sustenta que mercados preditivos são diferentes de cassinos: funciona como bolsa onde usuários negociam entre si, não há incentivo para perdas de clientes e há proteção ao consumidor e melhores preços.
  • Nos Estados Unidos, a Kalshi enfrentou batalhas legais contra a CFTC, cresceu 15 vezes nos últimos seis a oito meses e levantou US$ 1 bilhão, atingindo valuation de US$ 22 bilhões.
  • O futuro da Kalshi, segundo a liderança, envolve crescimento com foco institucional (B2B) e possibilidade de IPO no longo prazo, além de ampliar conversas regulatórias na América Latina, Ásia e Europa.

A Kalshi mantém o interesse no Brasil e afirma que o “plano A” é trabalhar de forma construtiva com o governo para reverter a decisão que proibiu a operação no país. A cofundadora Luana Lopes Lara concedeu a entrevista à Bloomberg Línea.

Ela explica que a proibição é encarada como um desafio regulatório comum a mercados preditivos, prática que a empresa busca contornar por meio de atuação legalizada e regulamentada em cada país. A executiva falou antes de subir ao palco do Web Summit Rio 2026.

A Kalshi, fundada em 2018 e operando desde 2021, já enfrenta disputas legais nos Estados Unidos. Em 2024, garantiu avanços que permitiram apostas em eleições, além de expandir para esportes. Atualmente, a plataforma afirma transacionar mais de US$ 4 bilhões por semana.

A empresa sustenta que seus contratos representam ativos financeiros sobre eventos futuros reais, o que difere de casas de apostas. Luana Lara enfatiza que a Kalshi funciona como uma bolsa, com negociações entre usuários, sem que a plataforma tenha incentivos para prejuízo de clientes.

No Brasil, após anunciar parceria com a XP, o CMN vetou mercados de previsão ligados a eleições e esportes. O Ministério da Fazenda também bloqueou cerca de 30 sites, incluindo a Kalshi, sob alegação de operar como casas de apostas. A empresa diz buscar diálogo para mudar esse cenário.

Segundo Luana Lara, a Kalshi está acostumada a educar o público sobre mercados preditivos e a defender que banir mercados não elimina a atividade, apenas desloca o risco para fora do âmbito regulado. Ela ressalta a importância de vias legais para o crescimento dentro do país.

A executiva avalia que o futuro da Kalshi está mais relacionado ao ecossistema institucional do que ao varejo. O objetivo é atrair grandes clientes corporativos e fundos, mantendo o varejo como etapa inicial para construir liquidez.

Sobre segurança do consumidor, Luana afirma que a Kalshi aplica limites de depósitos, controles de trading e suspensão de campanhas para perfis com risco elevado, detalhando que o modelo não depende da ideia de que os usuários perdem dinheiro de forma indiscriminada.

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