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Pague Menos recusa farmácias de supermercados e questiona alcance da lei

Pague Menos rejeita ofertas de drogarias dentro de supermercados e aponta desenho regulatório da lei como entrave, com retorno baixo por loja

Faturamento médio por loja é baixo demais para o investimento em supermercados, segundo a Pague Menos. (Foto: Pague Menos/Divulgação)
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  • A Pague Menos recusou ofertas de compra das farmácias instaladas por supermercados em suas lojas, citando retorno baixo e atrito regulatório como entraves.
  • A recusa ocorre mesmo após a sanção da Lei 15.357, que criou regras mais rígidas para venda de medicamentos dentro de redes de varejo.
  • A nova norma exige ambiente separado, caixa próprio e farmacêutico responsável, tornando a operação de farmácias dentro de supermercados mais complexa e cara.
  • Segundo o CFO da Pague Menos, a estrutura atual de “drogaria dentro da loja” não desamassa o negócio até pelo desenho exigido pela lei.
  • O mercado brasileiro de varejo farmacêutico movimentou 241,6 bilhões de reais em 2025; especialistas veem o convênio com redes licenciadas como caminho provável para supermercados interessados.

A Pague Menos informou à Bloomberg Línea que recusou todas as propostas de compra de suas operações de farmácia instaladas em supermercados. O desconto ocorre mesmo após a sanção da Lei 15.357, em março, que altera o desenho regulatório do setor. A empresa afirma que não houve acordo com nenhuma rede varejista.

Segundo o CFO Luiz Novais, as ofertas não avançaram porque o formato atual das drogarias dentro de supermercados tem receita média por loja baixa e exige desenho mais complexo para cumprir a nova lei. Ele não divulgou quais redes apresentaram propostas.

A regulamentação, conforme o texto sancionado, exige ambiente separado, caixa próprio e farmacêutico responsável em tempo integral. O que foi liberado é uma drogaria interna ao supermercado apenas em formato mais caro, o que tende a dificultar a viabilidade econômica do modelo.

Na visão da Pague Menos, a prática de manter a drogaria em operação dentro do supermercado geraria atrito com clientes. A empresa entende que a lei encerrou um debate de longa data, mantendo barreiras de entrada elevadas para o setor.

Panorama do mercado

O varejo farmacêutico brasileiro movimentou R$ 241,6 bilhões em 2025, com alta de 11,3% ante 2024, segundo IQVIA. A Close-Up International projeta crescimento de 8,5% anual até 2027, impulsionado por canais digitais e pela demanda por terapias como GLP-1.

Para as redes de supermercados que decidirem manter uma farmácia, a consultoria Peers Consulting + Technology aponta como caminho provável o convênio com redes licenciadas. Admar Corrêa, executivo da Peers, diz que a escolha entre modelo próprio ou por meio de licenciamento envolve margens versus complexidade regulatória.

No modelo próprio, a margem bruta em Medicamentos Isentos de Prescrição (MIPs) fica entre 30% e 35%, mas envolve custos fixos significativos, incluindo remuneração de farmacêutico entre R$ 12 mil e R$ 18 mil mensais. Em convênios, o custo é menor, à custa de parte da margem.

A gestão de meios de pagamento foi vista de forma mais otimista por analistas. A DM, gestora de cartões de loja, aponta ganhos como maior permanência do cliente na loja e possibilidade de parcelamento de medicamentos no mesmo crédito utilizado para a compra de alimentos.

O JPMorgan revisou perspectivas do setor em maio, destacando aumento de 14% nas vendas de varejo farmacêutico em abril ante 2024. A instituição mantém visão positiva para o segmento, com ressalvas sobre a exposição de ações como Pague Menos.

A Abrafarma, que reúne as 29 maiores redes, entregou à Anvisa, em abril, um dossiê com indícios de irregularidades em marketplaces, após a aprovação da lei. A agência avalia propostas para substituir normas antigas de venda online de medicamentos.

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