- Em 2016, impostos e transferências reduziram a fatia do 1% mais rico em pouco mais de um quinto e elevaram a parcela do quintil mais pobre de 3,9% para 7,9%.
- Em 2020, com o Cares Act, a fatia do pior quinto da população atingiu 8,2%, alcançando nível de várias décadas; em 2022, ficou em 7,4%.
- O governo Trump cortou impostos para os mais ricos; ao fim do seu primeiro mandato, a fatia do 1% mais rico, após impostos e transferências, subiu para 13,2%.
- O conjunto da desigualdade persiste, com estudo mostrando que os 400 homens mais ricos pagaram menor participação de seus rendimentos em impostos, favorecidos por ganhos de capital não tributados até a venda.
- O bilionário Elon Musk, ao tornar-se o primeiro trillionaire, ilustra como a riqueza permanece concentrada enquanto a redistribuição continua discreta.
Barack Obama encerrou seu mandato destacando avanços na redução da desigualdade de renda nos EUA, com cortes de impostos e transferências que beneficiaram mais o 1% mais rico e elevaram a fatia do 20% mais pobre. O governo afirmou ter feito as maiores mudanças desde a era da Great Society.
Hoy em dia, Elon Musk alcançou status de primeiro trillionário, impulsionado pela abertura de capital da SpaceX e pelo valor de mercado de 1 trilhão de dólares. O cenário ocorre em meio a debates sobre redistribuição de riqueza e seu papel na sociedade americana.
A história da política econômica norte-americana mostra altos e baixos ao longo das últimas décadas. Sob Obama, a distribuição de renda sofreu avanços, mas a política seguiu enfrentando resistência de coalizões políticas em prol de maior equidade.
Durante a administração Trump, as cortesas fiscais favoreceram as camadas mais ricas, elevando a participação do 1% no orçamento agregado mesmo após impostos. A situação contrasta com o discurso ao longo da campanha sobre valorização do trabalho.
O pacote de US$ 2,2 trilhões conhecido como Cares Act, aprovado para enfrentar a pandemia, beneficiou especialmente as camadas mais pobres, com alta histórica da participação do 20% mais pobre na renda nacional em 2020. Em 2022 houve recuo.
Estudos indicam que as mudanças propostas por Trump reduziram receitas de famílias pobres e elevaram rendimentos do topo, somando-se a tarifas que impactaram o rendimento disponível da classe trabalhadora. Ainda assim, o impulso redistributivo não esteve entre as prioridades.
Pesquisas de instituições como a CBO apontam que a tributação sobre o topo gera ganho relativo, mas a desigualdade persiste. O índice de Gini dos EUA figura entre os mais altos entre membros da OCDE, com impacto de políticas fiscais menos eficazes na redução da desigualdade.
A concentração de riqueza permanece elevada: os 1% mais ricos detêm parcela significativa do patrimônio líquido, com trajetórias de acúmulo e transmissão de riqueza via ativos financeiros e imóveis. Movimentos de educação fiscal não alteraram drasticamente esse quadro.
Especialistas destacam que a riqueza se apoia em ganhos de capital e em estratégias de planejamento tributário, que reduzem a incidência de impostos sobre a renda. A prática de remuneração baseada em ações facilita a acumulação sem imposto imediato.
Ao tratar de redistribuição, o tema envolve disponibilidade de políticas públicas, custos políticos e prioridades orçamentárias. O conjunto de evidências sugere que, no longo prazo, a relação entre riqueza e poder permanece estável, independentemente de quem governa.
A reportagem ressalta ainda que a ascensão de Musk e de outras fortunas bilionárias ocorre em um contexto de inovação tecnológica que pode ampliar a concentração de renda, caso não haja contrapesos fiscais e sociais eficazes.
Fontes citadas no material examinado indicam que a redistribuição enfrenta uma resistência estrutural histórica nos Estados Unidos, com impactos relevantes na vida de trabalhadores e nas possibilidades de mobilidade social.
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