- O lucro líquido agregado dos bancos brasileiros atingiu 255 bilhões de reais em 2025, recorde, segundo o Banco Central.
- O ano teve a taxa Selic em 15% ao ano, o maior nível em quase duas décadas, com juros elevados ao longo de 2025.
- O Banco Central afirmou que o crescimento do lucro foi mais moderado e a rentabilidade permaneceu estável, pois aumento de provisões compensou parte do ganho de juros.
- O setor é altamente concentrado, com quatro grandes bancos respondendo por quase 60% do crédito em 2024; juros do rotativo do cartão de crédito e do cheque especial ficaram muito altos, acima de 400% e 100% ao ano, respectivamente.
- A Febraban, via Rubens Sardenberg, diz que é equívoco afirmar que bancos se beneficiam apenas de juros altos, destacando custos de captação e inadimplência; sobre o PIX, aponta impacto líquido incerto, mas avaliação inicial positiva para o sistema financeiro.
O lucro dos bancos brasileiros atingiu o recorde de 255 bilhões de reais em 2025, segundo dados do Banco Central. O ganho ocorreu em meio a uma economia com a taxa Selic em 15% ao ano, o maior nível em quase duas décadas. O desempenho é apresentado pelo BC como lucro líquido, já ajustado pela provisões.
Em 2025, a Selic manteve-se elevada para conter a inflação. Mesmo com o juros alto, o BC apontou que o crescimento do lucro líquido dos bancos foi mais moderado e a rentabilidade esteve estável, com variações resultantes do aumento das despesas com provisões. O crédito expandiu-se de forma mais contida.
Contexto do lucro bancário
Dados do BC indicam que o ambiente de juros elevados elevou o custo de captação das instituições, influenciando o equilíbrio entre receitas de juros e gastos com inadimplência. O resultado líquido manteve-se alinhado ao ritmo de expansão do ativo total do sistema financeiro, segundo o BC.
A estrutura de custos do setor também impacta o lucro. O spread bancário, ou seja, o que fica acima da taxa Selic, é majoritariamente composto por despesas com inadimplência, administrativas e tributos. A margem financeira representa uma parte menor desse spread.
Concentração e crédito
O setor bancário brasileiro continua altamente concentrado, com os quatro maiores bancos respondendo por quase 60% do mercado de crédito em 2024. O andamento do crédito diante do juro alto é observado como fator limitante para o crescimento da carteira de crédito e, por consequência, de receitas com serviços e operações de mercado de capitais.
Rubens Sardenberg, diretor da Febraban, afirmou que é equivocado afirmar que bancos se beneficiam somente da taxa Selic alta. Ele destacou que juros elevados elevam o custo de captação e pressionam a inadimplência, o que tende a reduzir o ritmo de concessão de crédito e, por consequência, o crescimento econômico.
PIX e impactos
A implementação do PIX, especialmente com relação a acordos internacionais, gera efeitos mistos. Por um lado, a maior bancarização pode fortalecer o mercado financeiro; por outro, há potencial redução de custos para clientes, o que pode reduzir receitas de algumas operações.
Segundo Sardenberg, é difícil estimar o impacto líquido do PIX no sistema financeiro e são necessários estudos mais aprofundados. A avaliação inicial é de efeito positivo para os bancos, embora o cenário dependa de muitos fatores externos e regulatórios.
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