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Geógrafos pioneiros da USP formaram grupo diverso e contraditório

Quinze trajetórias distintas moldam a primeira geração de geógrafos da USP; ruptura dos anos sessenta gera geografia marxista/Crítica; hoje são cerca de cinquenta docentes e 1.700 alunos

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  • A primeira geração de geógrafos da USP não formou um grupo uniforme; pesquisa da FFLCH aponta 15 trajetórias diferentes, com propostas e conflitos entre visões e origens sociais distintas.
  • O curso nasceu sob forte influência da Escola Francesa, funcionou no subsolo da Faculdade de Medicina e mudou de unidade várias vezes, chegando ao campus do Butantã nos anos 1970.
  • Ao contrário de outras instituições, muitos cargos de cátedra foram ocupados por pessoas de origem popular, marcando uma presença de origem não elitista.
  • Em 25 anos de publicações analisadas, apenas 10% foram assinadas por mulheres; na década de setenta houve crescimento feminino, chegando a igualar as contribuições em 1986.
  • A partir dos anos sessenta ocorreu uma ruptura que abriu espaço para a geografia marxista/Crítica, levando à geografia crítica; hoje o departamento tem cerca de 50 docentes e quase 1.700 alunos.

A primeira geração de geógrafos da USP, criada a partir de 1934, não formou um grupo homogêneo. O estudo da FFLCH revela trajetórias distintas, fontes sociais variadas e disputas políticas que desafiam a ideia de uma geografia única, de matriz francesa.

Ao longo das primeiras décadas, o curso viveu mudanças de sede e tensões entre unidades. Inicialmente sediado no subsolo da Faculdade de Medicina, em 1938 deixou o prédio e passou por espaços como o Instituto de Educação Caetano de Campos e a rua Maria Antônia, chegando ao campus do Butantã nos anos 1970.

A pesquisa de Rogério Silva Bezerra aponta diversidade de origens entre os docentes, inclusive de grupos não vinculados à elite paulistana. Nomes como Aziz Nacib Ab’Saber emergem mesmo com trajetórias modestas, como a de jardineiro durante os estudos, destacando uma geografia marcada por contraste entre classes.

Mesmo com a produção ainda fragmentada, a disputa entre a chamada escola paulista de geografia e o modelo técnico do Rio de Janeiro moldou identidades. A USP passou a construir uma imagem de polo intelectual, ocultando, segundo o estudo, passado oligárquico da elite local.

Outro eixo relevante foi a desigualdade de gênero. Em 25 anos de publicações, apenas 10% eram assinadas por mulheres, segundo a análise. A década de 1970 trouxe aumento da produção feminina, que chegou a igualar a masculina em 1986.

A partir dos anos 1960, o departamento viveu uma ruptura ideológica. Um grupo alinhado ao regime militar confrontou pesquisadores próximos de debates agrários e da esquerda, dando origem à geografia marxista e à Geografia Crítica.

Hoje, o departamento de geografia da USP soma cerca de 50 docentes e quase 1.700 alunos. A síntese histórica apresentada pela pesquisa mostra como disputas políticas, sociais e culturais moldaram a disciplina e a universidade brasileira.

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