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Nova barreira israelense corta áreas agrícolas valiosas na Cisjordânia

Plano “Crimson Thread” impõe despejo em Atouf e inaugura primeira etapa de muro de 500 km, ampliando assentamentos na Cisjordânia

Ismael Bsharat, a farmer from the village of Atouf, will lose most of his farming land if Israel proceeds with plans to build a new separation barrier.
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  • Em 4 de dezembro, foram afixadas avisos de despejo em Atouf, com prazo de sete dias para desocupação das terras e benfeitorias.
  • Uma estrada militar e uma cerca devem ser erguidas na área, separando comunidades palestinas do restante do território.
  • O plano, batizado “Crimson Thread”, é a primeira etapa de uma barreira de 5,5 bilhões de shekels que, ao todo, deverá chegar a cerca de quinhentos quilômetros.
  • Cerca de 85% dos 1.000 dunams atingidos são de propriedade privada, com expectativa de assentamentos e postos avanças ao longo do vale.
  • Organizações de direitos humanos e advogados dizem que a medida visa tomar terras para colonização; autoridades afirmam ser uma medida de segurança.

O Conselho Municipal de Atouf recebeu notificações de despejo que cobrem casas, estufas e poços, sinalizando uma linha traçada por terras abertas na Cisjordânia. As ordens chegaram de forma súbita, impondo sete dias para desocupação a partir da entrega.

Israel planeja uma barreira de 500 km com custo total de 5,5 bilhões de shekels. A primeira etapa, em Atouf, inclui estrada militar e uma barreira, com zonas de exclusão de 50 m, ampliando para 200 m ao longo dos perímetros.

As notificações indicam a desapropriação de terras férteis, pertencentes principalmente a proprietários privados, para viabilizar o novo traçado. A terra é cultivada há gerações e inclui vinhas, pimentões, tomates e azeitonas.

Detalhes do projeto

O Ministério da Defesa descreve a obra como parte de uma rede de defesa nacional, cuja conclusão total abrangerá cerca de 500 km ao longo da fronteira leste. O objetivo declarado é aumentar a segurança e o controle estratégico da fronteira.

Grupos de direitos humanos e observadores afirmam que o plano pode levar à expulsão de centenas de famílias da Jordan Valley, aumentando o uso de terras para assentamentos. Organizações locais relatam que grande parte das áreas afetadas está sob título privado.

A defesa aponta que a obra não deve impactar áreas habitadas, enquanto comunidades palestinas relatam cortes severos no acesso à água e a serviços básicos, com o início das obras previsto para breve.

Repercussões na região

Entidades locais indicam que novos assentamentos devem surgir ao longo do traçado, com licitações de unidades habitacionais já registradas em outros pontos da Cisjordânia. A tensão permanece alta diante de denúncias de expulsões e de pressões para deslocamento.

Líderes locais de Atouf afirmam que, mesmo diante das notificações, muitos agricultores permanecem no território e aguardam desdobramentos. A família Bsharat cita perdas de cultivo e de fontes de água caso a barreira seja concluída conforme o plano.

Conforme o andamento das ações legais, advogados do município apresentaram recurso em tribunais israelenses, sem resposta até o momento. A situação segue sob observação de organizações internacionais e entidades de direitos humanos.

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