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Casas sufocantes: a crise energética e o conforto térmico na América Latina

A pobreza energética na América Latina se agrava com o aumento das temperaturas, deixando milhões sem refrigeração adequada. A falta de acesso a eletrodomésticos eficientes e as altas taxas de juros perpetuam a desigualdade, especialmente entre mulheres. Políticas públicas são urgentes para garantir conforto térmico e segurança alimentar.

A realidade do acesso à energia em América Latina revela um paradoxo preocupante. Embora a região tenha alcançado uma cobertura elétrica de 97%, muitas pessoas ainda enfrentam a pobreza energética, que não se resolve apenas com a disponibilidade de eletricidade. A falta de acesso a serviços energéticos adequados compromete o conforto térmico, essencial em climas […]

A realidade do acesso à energia em América Latina revela um paradoxo preocupante. Embora a região tenha alcançado uma cobertura elétrica de 97%, muitas pessoas ainda enfrentam a pobreza energética, que não se resolve apenas com a disponibilidade de eletricidade. A falta de acesso a serviços energéticos adequados compromete o conforto térmico, essencial em climas extremos. No norte do México, por exemplo, famílias recorrem a aquecedores de gás, que trazem riscos fatais, enquanto a ausência de sistemas de refrigeração em climas quentes se torna uma questão de sobrevivência.

Em 2024, a temperatura média global aumentou 1,46 °C em relação aos níveis pré-industriais, exacerbando as ondas de calor na América Latina. Mais de 185 milhões de pessoas na região estão em risco devido à falta de refrigeração adequada, o que afeta não apenas o conforto, mas também a conservação de alimentos e medicamentos. A situação é agravada pela dificuldade de acesso a eletrodomésticos eficientes, que muitas famílias não conseguem comprar à vista e acabam se endividando com juros que variam de 25% a 65%.

O custo de um ar-condicionado ineficiente em lojas como a Elektra no México é de 7.799 pesos (cerca de 360 euros), mas com financiamento, o valor pode subir para 12.342 pesos, um aumento de 63,19%. Essa necessidade de equipamentos essenciais perpetua ciclos de endividamento, especialmente entre mulheres, que assumem a maior parte das responsabilidades domésticas. Em média, elas dedicam 20 horas semanais a tarefas como cuidar de crianças e idosos, o que demanda serviços energéticos que historicamente foram negligenciados.

As políticas energéticas na região frequentemente ignoram as necessidades específicas dos lares, especialmente os chefiados por mulheres, que enfrentam maior vulnerabilidade. A falta de subsídios e incentivos para a aquisição de eletrodomésticos eficientes resulta em um círculo vicioso de pobreza e consumo de energia ineficiente. Para mudar essa realidade, é crucial que os governos adotem políticas que priorizem o acesso a serviços energéticos adequados e promovam a eficiência energética, garantindo que a eletricidade realmente contribua para o bem-estar da população.

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