Uma perícia do Ministério Público Federal (MPF) revelou que um grande projeto de exploração de gás e petróleo na Amazônia, da empresa Eneva, não considerou adequadamente os danos ambientais e os impactos climáticos. O laudo, de 64 páginas, foi apresentado à Justiça Federal no Amazonas, onde o MPF pede a suspensão do licenciamento e das atividades da empresa, que afetam comunidades tradicionais. A Eneva, que planeja explorar bilhões de metros cúbicos de gás, afirma que seguiu todas as etapas legais para o licenciamento. No entanto, a perícia aponta que a área de influência do projeto foi mal definida e que os impactos ambientais foram subestimados. O estudo de impacto ambiental não mencionou os efeitos climáticos do projeto e não considerou adequadamente a contaminação da água na região. O MPF também questiona a falta de um inventário de emissões de gases de efeito estufa e pede mais informações sobre a contaminação da água e a presença de oleodutos no projeto. A Eneva defende que suas operações ajudam a reduzir emissões de CO2, mas a perícia sugere que os estudos ambientais não foram suficientes para avaliar todos os riscos envolvidos.
Uma perícia do Ministério Público Federal (MPF) questiona o licenciamento de um grande projeto de exploração de gás e petróleo na Amazônia, operado pela Eneva. O laudo, de 64 páginas, destaca o subdimensionamento dos danos ambientais e a ausência de previsão para impactos climáticos. O documento foi protocolado na Justiça Federal do Amazonas, onde o MPF solicita a suspensão das atividades da empresa.
O empreendimento, localizado em Silves e Itapiranga, é considerado o maior na exploração privada de gás e óleo na Amazônia. A Eneva planeja explorar 14,8 bilhões de metros cúbicos de gás no campo de Azulão e 3,6 bilhões de metros cúbicos no campo Tambaqui. O MPF pede que a Eneva e o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) apresentem informações adicionais sobre os impactos levantados na perícia.
O laudo aponta que a área de influência do projeto foi definida de forma inadequada, limitando-se a dois quilômetros dos gasodutos, enquanto outros projetos na região consideraram áreas de até dez quilômetros. O MPF destaca que a exploração pode afetar comunidades ribeirinhas e indígenas, que já relatam contaminação da água.
A Eneva, por sua vez, afirma que não foi notificada sobre a perícia e que seguiu todos os procedimentos legais para o licenciamento. A empresa argumenta que a exploração de gás natural contribui para a redução de emissões de gases de efeito estufa, citando a substituição de usinas a diesel por termelétricas abastecidas por gás.
Os peritos do MPF também criticam a falta de um diagnóstico climático no estudo de impacto ambiental, que não considerou as emissões associadas ao projeto. O MPF requer que a análise dos impactos ambientais seja feita de forma integrada, em vez de fracionada, e que o licenciamento seja realizado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
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