A Câmara de Vereadores de São Paulo criou uma Comissão Curadora para analisar obras de arte em suas dependências, após uma disputa entre as vereadoras Amanda Vettorazzo e Luna Alves sobre um retrato da ex-vereadora Marielle Franco, que se assemelha à imagem de Nossa Senhora das Dores. Vettorazzo fez uma queixa, dizendo que a obra ofende a fé cristã e pede uma investigação sobre isso. Ela acredita que a imagem desrespeita a crença católica. Em contrapartida, Alves defende que a obra é uma homenagem a Marielle e busca conectar o sofrimento de Nossa Senhora com a luta de mulheres negras e periféricas que enfrentam violência. Essa situação mostra a tensão entre arte, política e religião no espaço público.
A Câmara de Vereadores de São Paulo criou uma Comissão Curadora para avaliar a exibição de obras artísticas em suas dependências. O decreto foi publicado no Diário Oficial nesta segunda-feira, 9 de outubro. A comissão será composta por membros da Mesa Diretora e dois vereadores designados para coordenar os trabalhos.
A decisão surge após um conflito entre as vereadoras Amanda Vettorazzo (União) e Luna Alves (PSOL) sobre a exposição de um retrato da ex-vereadora Marielle Franco, que remete à imagem de Nossa Senhora das Dores. Marielle, assassinada em 2018, se tornou um símbolo da luta contra a violência de gênero e racial.
Vettorazzo registrou uma queixa formal, alegando que a obra ofende a fé cristã e pede a investigação de um possível crime contra o sentimento religioso. Ela argumenta que a imagem fere a crença católica, afirmando que “quem decide quem é santo é exclusivamente a Igreja Católica”.
Por outro lado, Alves defende que a obra é uma homenagem a Marielle e não uma paródia. Segundo ela, a intenção é estabelecer um diálogo entre o sofrimento de Nossa Senhora e o martírio de mulheres negras e periféricas, vítimas da violência do Estado. A polêmica destaca a tensão entre arte, política e religião no espaço público.
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