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Glauber demonstra coragem diante de opositores do povo

Glauber Braga recebe suspensão de seis meses em meio ao embate pelo orçamento secreto, ampliando atuação política fora do Congresso

Glauber Braga (PSOL-RJ) e aliados comemoram resultado que livrou o deputado da cassação. Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados
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  • Glauber Braga foi ovacionado ao subir em trio elétrico na orla de Copacabana no domingo 14, cercado por militantes que pediam fotos e exaltavam sua coragem.
  • A derrota do pedido de cassação levou a uma suspensão de mandato por seis meses, com o afastamento não significando recuo político, segundo o deputado.
  • O caso ocorre no contexto de longos embates sobre o orçamento secreto e o controle de emendas, com o presidente da Câmara, Arthur Lira, acusado de concentrar poder.
  • A decisão de cassação ficou nas mãos de Hugo Motta, que conduziu o desfecho após confronto com a atuação da Polícia Legislativa e transmissão da TV Câmara ter sido interrompida.
  • O Palácio do Planalto, liderado por o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apoiou a votação e a suspensão como saída intermediária, apontando que a cassação exigiria maioria difícil no plenário.

O deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) foi ovacionado ao subir em um trio-elétrico na orla de Copacabana no domingo. A caminhada foi cercada por militantes que pediam fotos e exaltavam sua atuação. O episódio ocorre após o esforço de mobilização em torno de seu mandato.

Braga enfrentou um desfecho institucional recente: uma suspensão de seis meses, em vez de cassação. O anúncio ocorreu após tramitar no Conselho de Ética, com apoio de aliados do PT e do PSOL, alinhados com o Planalto. O afastamento não encerra sua atuação política.

Durante o evento, a mãe do deputado, Saudade Braga, de Nova Friburgo, estava em fase avançada de Alzheimer. Ela era citada como referência pela defesa da esquerda, enquanto um militante de direita a chamou de corrupta. O deputado respondeu que repetiria a reação, se necessário.

Contexto institucional

Ao longo dos últimos anos, Braga denunciou o que chamou de orçamento secreto, uma prática de concentração de emendas em poucos dirigentes. O tema ganhou contornos de disputa de poder dentro da Câmara, envolvendo o presidente Arthur Lira e a atual presidência, Hugo Motta.

O caso levou a investigações da Polícia Federal e do STF sobre emendas de relator e de comissão. A condução das apurações incluiu operações de busca e apreensão ligadas a assessores da antiga cúpula da Câmara. A Câmara justificou ações com base no regimento.

Desdobramentos políticos

A decisão de manter Braga com seis meses de suspensão foi marcada por negociações entre PSOL, PT e setores do centrão, com o movimento do Planalto. A Presidência da República acompanhou a tramitação, sem que houvesse mudança de posição formal.

O episódio reforça o debate sobre o uso do orçamento público e a ética parlamentar. A Câmara aprovou, na sequência, projeto de dosimetria das penalidades, em meio a críticas sobre tratamento desigual a parlamentares de diferentes espectros.

O Legislativo, no conjunto, segue sob análise de como as tensões entre oposição e governo influem no rito processual. As decisões impactam a imagem das instituições e a percepção de seletividade no tratamento de casos.

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