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Segurança coletiva em estado crítico

A segurança coletiva, em versões completas ou limitadas, nunca funcionou plenamente e hoje permanece frágil, dependente de alianças instáveis

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  • Existem duas leituras de segurança coletiva: a ideal, que busca eliminar o uso da força, e a mais modesta, que vê acordos para reduzir guerras ou alianças para deter uma ameaça comum.
  • A visão ideal depende de identificação fácil de agressores, consenso entre grandes potências e disposição para agir junto, o que é raro na prática.
  • Formas mais modestas — regimes de segurança, controle de armas e missões de paz — continuam com eficácia limitada e enfrentam desafios crescentes em um mundo multipolar.
  • Alianças de defesa, como a OTAN, costumam surgir para deter ataques, mas a cooperação entre EUA, Europa, China e outros players hoje é instável, o que aumenta a incerteza em crises.
  • Conclusões: não se deve apostar na versão mais ambiciosa da segurança coletiva; é necessário fortalecer capacidades nacionais, buscar parcerias estáveis e manter diplomacia para reduzir conflitos.

O ensaio sobre segurança coletiva foi apresentado como abertura do Holberg Debate 2025, realizado em Bergen, Noruega, no dia 9 de dezembro. O texto, adaptado das falas de abertura, analisa se o conceito de segurança coletiva continua viável diante de um cenário global fragmentado. O debate contou com o ex-primeiro-ministro britânico Boris Johnson e Mary Kaldor, da London School of Economics, e teve a moderação de Stephen Sackur. Um vídeo do debate está disponível.

O autor questiona se a segurança coletiva tradicional, baseada na renúncia ao uso da força, realmente existia. Afirma que essa visão depende de identificar agressões e de concordar entre potências sobre quem viola o acordo, o que raramente ocorre. Realça que, historicamente, grandes potências costumam agir por interesse próprio, limitando a eficácia da abordagem.

Em seguida, o texto descreve formas moderadas de segurança coletiva, como regimes de segurança e acordos de controle de armas, mas aponta falhas persistentes. Observa que o mundo hoje é multipolar, incluindo a China, o que dificulta acordos entre as grandes potências. Também menciona falhas em iniciativas de controle de IA e ciberarmas, além de ressalvar que a paz de grupos em conflito depende da vontade real de manter o cessar-fogo.

Formas de segurança coletiva na prática

O autor descreve a defesa coletiva, ou alianças militares, como a forma mais eficaz de dissuasão quando há uma ameaça percebida. Exemplos históricos são citados para ilustrar a formação de coalizões frente a agressões, como a OTAN e a resposta global à invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022. A análise ressalta, porém, que deter um conflito nem sempre funciona, especialmente quando há divergência entre aliados.

Desafios contemporâneos

O texto destaca que a cooperação entre Estados na região Ásia-Pacífico enfrenta obstáculos, com políticas norte-americanas instáveis, rivalidades entre potências e interesses econômicos que influenciam decisões de apoio a Taiwan ou à contenção da China. Também aponta que valores comuns entre aliados diminuem, complicando a coesão de alianças como a OTAN.

Conclusões sugeridas

O artigo conclui que a versão mais ambiciosa de segurança coletiva nunca funcionou plenamente e não deve ser esperada no futuro. Propõe que cada Estado induz reformas de defesa próprias, com diplomacia para ampliar a cooperação em riscos comuns, sem depender de acordos amplos que hoje parecem improváveis. O autor ressalva a necessidade de fortalecer capacidades nacionais e alianças estáveis, sem rupturas.

A obra enfatiza que, mesmo diante de cenários realistas, a segurança coletiva não elimina o risco de guerra e exige preparo contínuo. A discussão no Holberg Debate busca revelar limitações históricas e futuras da defesa coletiva em um mundo cada vez mais multipolar.

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