- O financiamento de US$ 250 milhões em ajuda energética para a Ucrânia permanece sem liberar, em meio a um inverno rigoroso que ameaça a rede elétrica danificada pela guerra.
- A pausa é atribuída a uma disputa burocrática e à extinção prática da Agência dos Estados Unidos para Desenvolvimento Internacional (USAID), gerando incertezas sobre quem deve liberar os recursos.
- Há propostas para que o Departamento de Estado ou a Corporação de Financiamento para o Desenvolvimento (Development Finance Corporation) assumam o desembolso, enquanto a USAID permanece com papel reduzido.
- A demora ocorre em cenário anterior de pausas de auxílio, mas, segundo fontes, a atual paralisação resulta de confusão interna, não de manobra política.
- Oficiais ucranianos afirmam que grandes usinas e redes de energia foram danificadas, deixando cidades com cortes de energia e aquecimento, com necessidades de financiamento estimadas em dezenas de milhões de euros.
O auxílio energético dos EUA para a Ucrânia encontra-se paralisado, mesmo em meio a um inverno intenso que agrava a instabilidade da rede elétrica do país. Segundo fontes familiarizadas com o tema, centenas de milhões de dólares podem permanecer sem desembolso, enquanto ataques russos a usinas e gasodutos elevam as dificuldades.
As informações indicam que os fundos, inicialmente destinados à importação de gás natural liquefeito e à reconstrução de infraestrutura danificada, ficaram retidos em um limbo burocrático após o fim da atuação da USAID. A agência já havia informado o Congresso, durante a gestão de Joe Biden, a intenção de liberar parte dos recursos.
A defasagem decorre de disputas internas entre órgãos da administração dos EUA sobre quem deve gerenciar o dinheiro. Enquanto alguns defendem que o Departamento de Estado assuma a liberação, outros sugerem que a Development Finance Corporation tenha papel central no processo de reconstrução.
Contexto burocrático
A paralisação ocorre em um momento em que a política de ajuda a Ucrânia já enfrentava entraves estruturais, fruto de mudanças promovidas na administração anterior. A eliminação prática da USAID gerou dúvidas sobre prazos e responsabilidades na liberação de recursos.
Fontes ouvidas por a Reuters destacaram que o valor dos recursos estagnados gira em torno de 250 milhões de dólares. Atrasos nessa faixa ocorrem em meio a ataques contínuos a usinas e oleodutos na Ucrânia, que intensificam o frio extremo entre a população.
Impacto na Ucrânia
Autarquias e autoridades locais relatam cortes de energia que se estendem por horas, com aquecimento reduzido e interrupções no abastecimento de água. Kiev e outras cidades enfrentam temperaturas abaixo de 0 °C e quedas acentuadas de energia, elevando a pressão sobre a população e serviços públicos.
Um diplomata ucraniano ressaltou que as principais usinas do país foram danificadas ou comprometidas, com necessidades de financiamento estimadas em cerca de 675 milhões de euros. O esforço internacional busca, entre outras coisas, estabilizar o sistema energético em meio ao inverno.
Representantes da Development Finance Corporation afirmaram que trabalham em conjunto com parceiros interagências para apoiar a reconstrução da Ucrânia e promover a segurança econômica. O governo dos EUA não comentou de forma adicional sobre o andamento dos desembolsos.
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