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Contrato milionário entre Master e governo sob escrutínio

Contrato de insulina entre Banco Master e ministério revela possível capitalismo de compadrio e influência de fundos em decisões públicas

Sede do Banco Master em São Paulo. (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)
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  • O programa Última Análise discutiu um contrato de pelo menos R$ 303,6 milhões entre o Banco Master, de Daniel Vorcaro, e o Ministério da Saúde, para fornecimento de insulina via Biomm.
  • A Biomm tem participação de fundos ligados ao Banco Master, com o Cartago Fundo de Investimentos sendo o maior acionista único, com 25,86% das ações.
  • A apuração aponta possíveis favorecimentos envolvendo o setor público e críticas sobre um “capitalismo de compadrio” no relacionamento entre governo e empresários.
  • Para o professor da Fundação Getulio Vargas, o caso extrapola a discussão ideológica e aponta problemas estruturais no Estado brasileiro.
  • Outras notas: o presidente do PSD, Gilberto Kassab, questiona a posição de Tarcísio de Freitas em relação a Bolsonaro, sugerindo possível candidatura própria, enquanto o deputado Nikolas Ferreira defende a redução da maioridade penal para 16 anos em apoio a um caso envolvendo um cachorro na cidade de Florianópolis.

No programa Última Análise de quinta-feira (29), foram discutidos detalhes de um contrato entre o Banco Master e o governo, supostamente no valor de pelo menos R$ 303,6 milhões, para fornecimento de insulina via a Biomm, empresa de biotecnologia com participação de um fundo ligado ao Master. A apuração aponta que o negócio envolve a Biomm, o Fundo Cartago, Walfrido dos Mares Guia e o BNDESPar, braço do BNDES. O debate questiona a existência de vantagens indevidas e a transparência dos atos governamentais.

Segundo apuração publicada pelo Poder360, o Cartago tem 25,86% da Biomm. Walfrido dos Mares Guia detém 8,24%, o BNDESPar 5,12% e o Master é o maior acionista individual. A análise aponta que a estrutura acionária facilita o controle sobre decisões estratégicas da Biomm, em um contexto de ligação entre setor público e privado. Especialistas ouvidos no programa destacaram a gravidade das interações entre governo e empresários.

Para o professor da FGV Daniel Vargas, o caso é visto como um problema estatal, não apenas ideológico. Ele afirma que episódios assim remetem a falhas institucionais que afetam a percepção de governança pública. A discussão envolve, ainda, o papel de fundos de investimento em empresas privadas e a necessidade de maior clareza em contratos com o setor público.

Repercussões políticas

O presidente do PSD, Gilberto Kassab, afirmou que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), não pode depender exclusivamente do legado de Jair Bolsonaro. Kassab sinalizou a possibilidade de lançar um candidato próprio nas próximas eleições, em meio a tensões políticas regionais. A leitura é de que o cenário exige atenção quanto à fidelidade de apoios políticos.

O ex-juiz Adriano Soares da Costa comentou que a relação entre base aliada e figuras associadas ao bolsonarismo pode influenciar o cenário eleitoral. A avaliação é de que alianças e rupturas diante de casos ligados ao governo têm impacto direto no capital político de gestores estaduais.

Caso do cachorro Orelha

O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) divulgou, nesta quarta-feira, um vídeo defendendo a redução da maioridade penal para 16 anos, em resposta ao caso do cachorro comunitário Orelha, em Florianópolis, que foi ferido por adolescentes e acabou sacrificado. O deputado argumenta que o limite atual é inadequado, e o debate volta a pautar políticas de segurança pública. O veículo de divulgação utilizado foi o X.

A discussão sobre Orelha é usada para ilustrar divergências sobre legislação penal, com especialistas lembrando que a idade legal varia globalmente e que o Brasil mantém uma das maiores idades mínimas entre países desenvolvidos. Autores ligados ao tema destacam a necessidade de equilíbrio entre proteção animal, segurança pública e direitos de menoridade penal.

O programa Última Análise é exibido ao vivo pela Gazeta do Povo, das 19h às 20h30, de segunda a sexta-feira, com o objetivo de promover debates racionais sobre temas complexos, sem apelar para opiniões pessoais. As informações acima referem-se aos trechos discutidos na edição do programa.

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