- O sistema iraniano se baseia na teoria vilayat-e faqih, com o líder supremo tendo a palavra final em decisões-chave e um aparato paralelo de poder; o atual líder é Ali Khamenei, em exercício desde 1989, sem sucessor definido.
- Vários órgãos clericais controlam o governo, como a Assembleia de Especialistas, o Conselho Guardião e o Conselho Expediente, que influenciam leis, eleições e disputas políticas.
- O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) responde diretamente ao líder supremo, com influência crescente na política, economia e estratégias regionais, incluindo a Força Quds.
- A presença de forças como Basij e contratos bilionários da Khatam al-Anbiya ampliam o poder militar, econômico e de controle social dentro do país.
- Embora haja eleição presidencial e legislativa, o sistema mantém restrições e o papel do líder supremo restringe a autonomia das instituições eleitas; o presidente eleito em 2024 foi Masoud Pezeshkian, considerado moderado.
A revolução islâmica de 1979 criou o modelo de governo no Irã, com um líder supremo acima do governo eleito. A ideia, chamada vilayat-e faqih, ainda norteia a prática política do país. Hoje, o cargo é ocupado pelo Ayatollah Ali Khamenei, que desde 1989 detém a palavra final sobre as grandes decisões do estado.
O sistema combina instituições clericais e estruturas democráticas formais. A Assembleia de Especialistas nomeia o líder, e o Guardian Council tem poder de veto a leis e candidaturas. Este arranjo mantém o controle sobre o Executivo, Legislativo e Judiciário, com influência persistente de figuras do clero.
O papel dos guardiões
Os Guardiões Revolucionários (IRGC) respondem diretamente ao líder, não ao Ministério da Defesa. Criados logo após a Revolução, tornaram-se a força mais poderosa das Forças Armadas, com atuação política e econômica expandida ao longo de décadas. A divisão Quds integra forças de apoio a grupos aliados na região.
O IRGC também coordena a Basij, milícia paramilitar que atua no interior do país. Além disso, contratos bilionários no setor de petróleo e gás ampliaram o poder econômico do corps, elevando sua influência interna e externa. O comando atual mantém figuras como o chefe Mohammad Pakpour e o líder da força Quds Esmail Ghaani.
Como funciona a democracia iraniana
O Irã realiza eleições para presidente e parlamento com mandatos de quatro anos, mas o presidente atua dentro de limites traçados pelo líder supremo. O voto já chegou a ter grande participação, porém restrições do Guardian Council e a prerrogativa do líder enfraqueceram a credibilidade eleitoral.
O presidente eleito acumula poderes executivos com apoio do governo, mas sua margem de manobra é definida pela hierarquia clerical. Em 2024, o líder manteve influência sobre o processo político por meio de conselheiros e instituição clero-centradas, como a Assembleia de Especialistas e o Expediency Council.
Perspectivas de liderança futura
Khamenei não indicou um sucessor, deixando incerta a linha de transmissão do poder. Entre os nomes citados como possíveis candidatos aparecem o filho Mojtaba Khamenei, Hassan Khomeini, além de alguns clérigos experientes. A fluidez interna persiste diante de eventuais mudanças na liderança.
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