- A Starbucks Korea lançou um novo copo na véspera do 46º aniversário da Revolta de Gwangju, com referências a memes de extrema-direita como “Tank Day” e “bater na mesa”, gerando revolta pública e queda nas vendas, seguido de pedido de desculpas.
- O anúncio usa memes que zombam das vítimas da repressão de 1980; o contexto envolve comunidades online ligadas ao site Ilbe, conhecidos por promoverem conteúdo extremista e misógino.
- O presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, condenou a campanha; a Shinsegae Group, controladora da Starbucks Korea, divulgou um pedido de desculpas e prometeu reforçar controles internos.
- A controvérsia evidencia a normalização de sentimentos anti-democráticos na direita sul-coreana e a oposição pública a esse tipo de conteúdo.
- No cenário eleitoral recente, o Partido Democrata liberal teve boa atuação em cidades e províncias, enquanto o Partido Poder Povo (PPP) tentou dissociar-se de eventos ligados ao presidente, sobretudo entre jovens.
A controvérsia envolvendo a Starbucks Korea escalou após a divulgação de uma peça publicitária ligada ao 46º aniversário do Levante de Gwangju. A campanha, alinhada ao que é chamado de Tank Day, foi anunciada na semana do 18 de maio, data histórica para o país. A empresa afirmou que o tumbler vendido seria apenas uma brincadeira de marketing, mas o tom causou indignação entre parte da população.
A presidência sul-coreana criticou a ação como inadequada e fora de linha. A Starbucks Korea retirou o material e divulgou um pedido de desculpas, destacando que houve dor e decepção entre várias pessoas. A medida ocorreu em meio a um debate mais amplo sobre memória histórica e right-wing militante.
O incidente expõe práticas de um segmento da extrema-direita que recorre a memes polêmicos. Entre eles, o “Tank Day” celebra o uso de tanques na repressão de protestos, enquanto a expressão “bater na mesa” remete a um caso antigo envolvendo suposta morte de um ativista. Essas referências circulam há anos na web.
O site Ilbe, ligado a uma ala jovem da direita sul-coreana, foi apontado como fomentador de linguagem agressiva e memes políticos. A rede difundia imagens manipuladas e promovia a adoção de símbolos de universidades para veicular mensagens extremistas.
A ascensão de figuras associadas a esse ambiente influenciou cenários políticos recentes. Um líder do principal partido de direita, o PPP, passou a defender posturas críticas a entidades democráticas e a mulheres, segundo análises de pesquisadores, o que intensificou o debate público.
A controvérsia envolvendo a Starbucks ganhou contornos políticos, com o grupo Shinsegae, controladora da Starbucks Korea, sob escrutínio. O conglomerado foi alvo de críticas por ter permitido a veiculação de conteúdo considerado inadequado, vindo a solicitar internalização de controles de risco.
Apontada como tentativa de capitalizar símbolos de direita, a campanha também repercutiu economicamente. Em avaliação de um funcionário da Shinsegae, houve queda expressiva nas vendas associada ao episódio, além de alteação de percepções sobre a marca.
O desdobramento político inclui reações de partidos e líderes. O PPP manteve posição de apoio estratégico à empresa, enquanto setores democráticos reforçaram a defesa da responsabilidade institucional e do afastamento de conteúdos que desrespeitam memoriais históricos.
Especialistas alertam que a normalização de discursos anti-democráticos pode ameaçar a coesão cívica. Em meio a eleições locais, o Brasil registra paralelos com táticas de mobilização online usadas por correntes conservadoras que promovem agendas de redução de direitos.
As consequências imediatas apontam para maior cautela de marcas diante de conteúdos sensíveis. Em resposta, a Starbucks Korea reiterou o compromisso com a memória histórica e com práticas internas de governança, visando evitar futuras controvérsias.
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