- Um evento imobiliário em norte de Londres foi associado à divulgação de venda de terras em asentamentos israelenses na Cisjordânia ocupada e em Jerusalém oriental, apesar de negações anteriores dos organizadores.
- Panfletos do evento mostraram projetos em Ma’ale Adumim, Givat Ze’ev, Kfar Eldad e Teneh Omarim na Cisjordânia, bem como em Ramat Eshkol e Givat Hamatos em Jerusalém oriental.
- O episódio ocorreu após mais de cem parlamentares britânicos e organizações da sociedade civil terem pedido o cancelamento do evento, alegando violar o direito internacional e orientações sobre atividade econômica em assentamentos.
- Os organizadores chegaram a pedir desculpas por um “erro” nos folhetos, disse que nenhuma propriedade em territórios disputados seria promovida e que a menção foi um equívoco.
- O governo britânico acionou a Advertising Standards Authority para avaliar se houve publicidade de imóveis em assentamentos ilegais, e houve interação com a imprensa sobre possíveis medidas legais.
O evento imobiliário realizado no norte de Londres teria veiculado a venda de terrenos em assentamentos israelenses na Cisjordânia ocupada e em East Jerusalem, apesar de negações anteriores dos organizadores. Pamfletos apresentados ao Guardian mostram projetos em Ma’ale Adumim, Givat Ze’ev, Kfar Eldad e Teneh Omarim, na Cisjordânia, além de Ramat Eshkol e Givat Hamatos, em Jerusalém Leste.
A divulgação ocorreu durante uma turnê internacional de roadshows que já passou por Toronto e Nova York. O London Great Real Estate Event convidou interessados a registrar interesse em Gush Etzion, um assentamento na Cisjordânia, considerado ilegal pelo governo britânico.
Representantes do evento passaram a admitir, na terça-feira, um “erro” nos folhetos após questionamentos no Parlamento. Eles afirmaram que ninguém promoveu terras nos “territórios disputados” e que a menção foi equivocada. O material foi retirado parcialmente dos sites oficiais.
Para o britânico Sadiq Khan, prefeito de Londres, houve alerta sobre possíveis atividades criminais associadas à venda de propriedades nessas áreas. O Metropolitano de Londres disse não comentar sobre o caso. A polícia avaliaria eventuais indícios de ilegalidade.
Mais cedo, cerca de 101 parlamentares assinaram uma carta pedindo o cancelamento do evento, argumentando que a promoção fere obrigações internacionais e diretrizes sobre atividades econômicas ligadas a assentamentos. O governo foi chamado a agir.
O Ministério das Relações Exteriores informou ter encaminhado à Advertising Standards Authority (ASA) um pedido para apurar publicidade de imóveis em assentamentos ilegais sob a lei britânica. A ASA confirmou o recebimento, mas não informou sobre queixas formais até o momento.
Organizadores chegaram a negar as acusações, chamando-as de instigadas por apoiadores de anti-Israel e de terrorismo. Em seguida, disseram ter removido referências a Gush Etzion e ajustado conteúdos para evitar menções a territórios em disputa.
Amnesty International UK criticou a decisão de encaminhar o caso apenas à ASA, descrevendo-a como inadequada. Parlamentares ressaltaram que o governo precisa coibir a promoção de imóveis em áreas ocupadas e exigir responsabilidade de empresas envolvidas.
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