- O Senado aprovou pautas-bomba com potencial impacto fiscal superior a R$ 200 bilhões, segundo relatos da equipe do governo.
- Motivos citados: senadores buscando acenos para suas bases eleitorais, Davi Alcolumbre tentando garantir a reeleição e o atrito entre Lula e Alcolumbre.
- O governo aposta na Câmara dos Deputados, especialmente com o presidente Hugo Motta, para evitar que as pautas avancem neste ano.
- Alcolumbre sinalizou que colocaria em votação o projeto de renegociação de dívidas de produtores rurais, aumentando o risco fiscal em até R$ 140 bilhões nos próximos dez anos.
- O relacionamento entre Lula e Alcolumbre permanece tenso; o governo não confirmou encontro para aparar arestas, após o impasse envolvendo a indicação de Messias ao STF.
Após derrotas do governo no Senado nesta quarta-feira, a aprovação de pautas consideradas bomba pode gerar um rombo superior a 200 bilhões de reais no orçamento. O governo aponta três motivos para o resultado negativo: acenos a bases eleitorais, manobra de Alcolumbre e a relação tensa entre Lula e o presidente do Senado.
Davi Alcolumbre, do União-AP, preside a Casa e buscaria agradar senadores para renovar o mandato à frente do Senado no próximo ano. A prioridade, segundo segmentos do governo, seria manter o controle de votações relevantes para a agenda do Palácio do Planalto.
Apoiado por lideranças do governo, Hugo Motta, deputado do Republicanos, pode atuar para evitar que as propostas avancem também na Câmara. Motta mantém bom relacionamento com Lula, ao contrário de Alcolumbre.
Antes, o governo suspeitava que Alcolumbre poderia segurar as pautas-bomba. Em encontro com o ministro da Fazenda, o senador afirmou que não colocaria os projetos em votação a pedido do governo.
Nesta quarta, Alcolumbre abriu caminho para a votação do texto de renegociação das dívidas de produtores rurais, relatado pelo senador Renan Calheiros. A aprovação cria o risco de impacto fiscal de cerca de 140 bilhões de reais nos próximos dez anos.
Lideranças governistas afirmam que a manobra seria um aceno a senadores para assegurar apoio à candidatura de reeleição de Alcolumbre. Além disso, indicaria sinal de que o presidente do Senado precisa manter o diálogo com o governo.
A tensão entre Lula e Alcolumbre vem de episódios recentes, incluindo a rejeição, pelo Senado, do nome de Jorge Messias para uma vaga no STF. Embora Lula tenha tentado manter o relacionamento, ainda não houve sinal de reunião oficial entre as partes.
O avanço das pautas no Senado acontece em ano eleitoral, com atenção aos impactos fiscais e à possibilidade de reformas que exigem maioria qualificada. A Câmara, sob liderança de Motta, é vista como peça-chave para conter ou ampliar esse cenário.
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