- O governo sul-africano diz ter recebido pedidos de ajuda de 6 de novembro envolvendo 17 sul-africanos e 2 botswaneses que teriam sido levados pela filha do ex-presidente Jacob Zuma para a linha de frente na Rússia, supostamente após serem enganados.
- Duduzile Zuma-Sambudla é acusada em ações judiciais de atrair os homens para a Rússia com a promessa de treinamento como guarda-costas para o partido uMkhonto weSizwe ou para um curso de desenvolvimento pessoal.
- O porta-voz do presidente sul-africano, Vincent Magwenya, afirmou que a retirada dos jovens permanece em processo sensível e que há negociações com autoridades da Rússia e da Ucrânia para que voltem com segurança.
- As negociações concentram-se mais nas autoridades russas, segundo o porta-voz, que disse ainda haver “grave” risco à vida dos jovens; a embaixada da Rússia na África do Sul não comentou.
- Em dezembro, familiares dos homens protestaram na prefeitura de Durban; uma mãe relatou o sofrimento dos filhos sem contato e pedidos para que voltem para casa.
O governo sul-africano informou ter recebido telefonemas de socorro envolvendo 17 sul-africanos e 2 botsuaneses recrutados para a Rússia, supostamente enganados a irem para as linhas de frente na Ucrânia. A filha do ex-presidente Jacob Zuma, Duduzile Zuma-Sambudla, é apontada em várias ações judiciais como responsável pela atração dos jovens em julho, sob a promessa de treinamento como guarda-costas para o partido uMkhonto we Sizwe ou de participação em um curso de desenvolvimento pessoal.
Vincent Magwenya, porta-voz do presidente Cyril Ramaphosa, afirmou que a operação para resgatar os jovens permanece sensível e em curso, com participação de autoridades russas e ucranianas. Segundo ele, o foco está, principalmente, nas autoridades russas, já que há indícios de que os sul-africanos foram incorporados de forma irregular ao aparato militar russo. As negociações seguem em andamento com diferentes interlocutores.
A embaixada da Rússia na África do Sul não respondeu a pedidos de comentário. Em 6 de novembro, o governo sul-africano informou que recebeu os contatos de socorro dos jovens. No fim de novembro, Nkosazana Zuma-Mncube, outra filha de Zuma, registrou uma ocorrência policial alegando que Zuma-Sambudla e outras duas pessoas teriam recrutado os jovens de forma enganosa. Zuma-Sambudla, por sua vez, apresentou um boletim policial alegando ter sido enganada por Blessing Khoza, suspeito também de participação no esquema, e acusou ter sido induzida a recrutar os homens para um suposto curso de treinamento paramilitar legítimo que ela própria teria frequentado.
Desdobramentos
Mais de uma dúzia de familiares e amigos dos jovens protestaram no dia 5 de dezembro, em frente à prefeitura de Durban, com faixas pedindo o retorno dos jovens. Relatos de mães reforçaram o sofrimento com o desaparecimento e o tratamento que os jovens estariam recebendo, destacando a urgência de trazê-los de volta.
Relatos à imprensa indicam que um dos jovens não mantém contato desde 27 de agosto, quando ligou para a mãe para dizer que estava sendo obrigado a assinar um contrato em russo que não compreendia, e temia ser encaminhado às linhas de frente na Ucrânia. As autoridades ainda buscam confirmar todas as identidades envolvidas e a extensão da suposta fraude.
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