- A FAA autorizou o fechamento do espaço aéreo de El Paso por dez dias e o estorno ocorreu apenas horas depois, sem aviso prévio aos moradores ou autoridades locais.
- A decisão provocou interrupção de tráfego comercial, de carga e geral na cidade da fronteira com o México; o fechamento foi anunciado na noite de terça e começou à meia-noite de 10 de fevereiro, terminando precocemente na manhã de quarta.
- No total, quarenta voos foram afetados entre cancelamentos (14) e atrasos (pelo menos 13), com remanejamento de voos de evacuação médica para Las Cruces, Novo México.
- Autoridades locais criticaram a falta de comunicação, destacando impactos em hospitais, operações militares e serviços de emergência; questionam a justificativa de “razões de segurança especial”.
- A cidade vizinha de Juárez afirmou não haver confirmação de incursões de drones de cartéis mexicanos e afirmou que autoridades americanas ainda não as contataram formalmente.
O anúncio do fechamento do espaço aéreo de El Paso, no Texas, surpreendeu moradores e empresas na madrugada de quarta-feira. A FAA ordenou, de forma temporária, a interrupção de voos comerciais, de carga e de aviação geral por 10 dias, sob pretexto de motivos de segurança especiais. A medida atingiu a região de El Paso e a base militar Fort Bliss, próximo à fronteira com o México.
A decisão causou grande confusão na cidade, que abriga cerca de 700 mil habitantes. Autoridades locais não receberam aviso prévio nem explicações claras, o que gerou pânico e questionamentos sobre riscos para serviços críticos, como hospitais e emergências. Também houve interrupção de operações no aeroporto local, com voos cancelados e atrasos.
A ordem foi publicada durante a noite e inicialmente prevista para vigorar de 10 a 20 de fevereiro, localmente. Ainda na manhã de quarta, o FAA informou pelas redes sociais que não havia ameaça ao tráfego comercial, e a restrição foi suspensa horas depois, já com voos descomissionados e passageiros retidos.
Repercussões imediatas
Segundo dados de monitoramento de voos, pelo menos 14 voos foram cancelados e mais 13 sofreram atrasos. Médicos e equipes de resgate tiveram de deslocar evacuações para Las Cruces, no Novo México, a cerca de 72 quilômetros de El Paso. A interrupção também atrasou equipamentos cirúrgicos vindos de Dallas e de outras regiões.
O prefeito de El Paso, Renard Johnson, afirmou que a cidade não recebeu qualquer confirmação de uma incursão real e pediu coordenação entre autoridades locais, o aeroporto, hospitais e líderes comunitários. Ele classificou a comunicação como inadequada e destacou a importância da previsibilidade para serviços essenciais.
A congresswoman Veronica Escobar, que representa a região, criticou a forma como a FAA comunicou a medida e afirmou que qualquer impacto desta magnitude requer aviso prévio e clareza. Ela informou que a explicação recebida pela Câmara não condizia com relatos internos.
Contexto e desdobramentos
Responsáveis locais, como o vice-prefeito de segurança pública, Duarte D’Agostino, disseram não ter tido confirmação oficial de drones de cartéis mexicanos ou de qualquer outra ameaça. A prefeitura ressaltou que não recebeu determinação oficial sobre a causa da paralisação e evitou especulações.
A cidade de Juárez, no México, vizinha a El Paso, também se manifestou sem confirmar incidentes com drones e informou que autoridades locais não foram contatadas oficialmente pelos EUA. O tema expõe tensões entre políticas migratórias, segurança na fronteira e coordenação entre autoridades bilaterais.
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